Imagine que exista alguém do seu lado que precise de ajuda com uma pequena tarefa. Não é tão complicado assim, nós temos duas mãos, dois braços e duas pernas e por isso somos limitados. Não alcançamos as prateleiras muito altas quando somos pequenos e não conseguimos ver onde nossos pés e pernas batem quando somos muito altos. 

Todos temos limitações e por isso precisamos uns dos outros pra conquistar e alcançar nossos objetivos. Seja quando um pai ajoelha para amarrar os cadarços do filho, seja quando alguém ajuda uma pessoa com necessidade a atravessar a rua, levando o lixo pra fora da casa onde mora, enfim, a lista é quase infinita. Somos seres sociais.

Dito isso, posso assumir que o ser humano não é um lobo solitário. Até certo do seu livre arbítrio concordo totalmente que ele deve ser independente e capaz de lidar com seus problemas. Se há algum problema que pode ser resolvido, que você é capaz de resolvê-lo apenas com seu próprio esforço, porque você mesmo não faria tal esforço? 

Talvez você tenha pensado algo como "não tenho tempo" ou "não sei resolver" ou até "não quero fazer isso, pago alguém pra fazer pra mim". Bom, encontramos então um ponto importante. Porque as pessoas fazem o que fazem.

Acredito que as pessoas podem ser motivadas de duas formas:
1 - Externamente : São oferecidos dinheiro/poder/prazeres e como troca, a pessoa cede tempo da própria vida pra fazer o que você quer. Como naturalmente acontece hoje em dia. E assim como tudo externamente, a motivação externa é superficial.
2 - Internamente : Dentre os sentimentos que alguém é capaz de sentir, aquele ser humano é motivado para fazer algo que ela realmente acredita. A igreja chama essa motivação de fé. Eu a chamo de energia motora. Esta motivação é extremamente profunda e enraizada. De certa forma é a que move todos nós, mesmo que no dia-a-dia o dinheiro seja aparentemente o objetivo, mas isso é um assunto pra outro texto.

O que quero dizer é que todas ações podem ter suas raízes em uma dessas duas formas. Quase como se conseguíssemos nesse momento de motivação alcançar o interior uns dos outros. 

O individualismo, quando presente nas ações humanas, pode ser baseado em qualquer uma destas duas formas. Logo, existe o individualismo que reflete diretamente na fé e o individualismo que reflete diretamente no egoísmo, assim como existe uma linha muito tênue entre eles.

Estamos em tempos difíceis. Os bons estão separados e perdidos enquanto os maus estão unidos como estiveram em épocas de guerra e escuridão da razão. Quando você age de forma egoísta, mesmo não sendo uma pessoa má, é como se fortalecesse o mal que existe no mundo. É uma ação direta para que as pessoas que poderiam contar com sua ajuda, reforcem em si tendências a também serem más e pensarem apenas em si.

Por outro lado, ajudar o outro - não importa como - torna alguém portador de uma dívida de bondade seja pra com você, seja pra com o mundo. Sejamos sinceros, "não existe almoço grátis", mas existe sim bondade gratuita que o único retorno que você terá é trazer um pouco mais de boa vontade pro mundo.

Acredito fielmente que as pessoas boas do mundo devem ser estimadas, nutridas e principalmente incentivadas. Esse incentivo não é você motivá-la com palavras vazias de parabéns, você elogiar suas habilidades, ignorar seus erros ou dar um presente no aniversário.

Elas devem ser cultivadas onde mais importa: Em ter fé nelas. E se você tiver a chance de facilitar o caminho que as pessoas boas querem seguir, que facilite.

É melhor que as pessoas boas se fortaleçam. Para mim, pra você e pra todo mundo.

Somos negociadores de sonhos
Trocamos desejos por vontades
Estivemos em mil lugares e em mil idades
Enquanto novos sonhos nascem
Pensaremos em como viver sem nada nos bolsos

Se imagine atravessar uma porta sem saber o que há do outro lado
Ela está aberta, mas você não consegue enxergar
Não se sabe se do outro lado haverá vida quanto aqui há

Se imagine cair em espiral em um negrume sem fundo
O que haverá de restar? Ah... as escolhas que fazemos
... os lugares que queremos chegar


Perdemos a bússola
Pela noite vagamos pelas nuvens
Com oceano por todos os lados
Quem seremos amanhã?

Por hora, talvez...
TERRA!

Um estreito delicado de terra surge na curvatura do horizonte
Bem vindo ao outro lado do planeta


Voltamos ao velho continente, buscando o que nunca tivemos
Erguemos nossas bandeiras nos próprios peitos
Pois tudo ao redor nos é desconhecido
Não há o que temer quando tudo que se quer é realmente viver


Quando estava no ônibus indo para Argentina aos meus 19 anos,
Deixava todos meus pesadelos pra trás pela janela do ônibus,
As coisas que deixamos pra trás olhando na direção do pôr-do-sol,
Os medos e desesperos, quem éramos para quem quisermos ser.

Eu e você respiramos o mesmo ar,
Temos a mesma capacidade para liberdade,
E se esquecermos que somos infinitos?
Sobreviveremos?


Enquanto a linha do horizonte se aproxima de mim,
Sinto como se meu corpo estivesse passando por transformações que não posso controlar,
Uma corrente elétrica o percorre, aperto minhas mãos e meus punhos se enchem de orgulho,
Um orgulho infindável de que a força de vontade de alguém, move o mundo que compete à ela.

Ainda ouço as mesmas músicas, olho no espelho e vejo o mesmo garoto,
Será que estou preparado pra viver o que sonhei? O que meu coração deseja.

Já passamos por isso Eric,
Sempre que houver um despenhadeiro desconhecido..

..abra as asas

e Voe

E todas essas nossas histórias que insistimos em contar
E os pequenos beijos que deixamos revelar
Mais do que poderíamos e menos do que realmente queríamos

O que serão de todos eles quando o timer chegar a zero?
Todos os 8906,98 km que me separarão de onde nasci
Todas essas madrugadas em que acordo às 5 da manhã ofegante
Desesperado em meus sonhos, sem haver tocado alarme

Que sejamos fortes
Que nossa força de vontade
Nos leve onde quisermos ir


Eu achava que diários só serviam como uma forma guardar segredos, para se escrever tudo aquilo que só nós mesmos poderíamos saber. Com 5 anos, eu anotava tudo na minha agenda rosa, com a curiosa escrita de uma criança que ainda não havia aprendido a usar a letra "s" nas palavras. Mas, como a maioria das pequenas garotinhas, era muito mais interessante brincar no quintal de casa do que escrever palavras incompletas em um papel, o que fez o meu primeiro diário se tornar apenas mais um caderninho qualquer, após alguns dias.
Anos depois, achei ter descoberto o verdadeiro significado deles; expressar tudo o que o coração sentia, no fim de cada dia. Mas, para uma adolescente, haveria meios mais fáceis de o fazer, como uma boa conversa pelo telefone do quarto com a melhor amiga. E, mais uma vez, lá se foi em pouco tempo outra tentativa de montar um diário.
Talvez essa falta de persistência tenha se instalado como uma certa preguiça, pelo fato de tornar rotineiro o ato de separar dez minutos todas as noites para escrever sobre como havia sido o meu dia.
Depois de muito mais tempo, hoje, creio finalmente ter entendido o propósito dos diários, ou, pelo menos, uma de suas utilidades mais apropriadas para o momento. É mais do que guardar segredos e expressar sentimentos, é, principalmente, guardar as memórias. Mais do que um hábito repetitivo, o ato de escrevê-lo não tem de ser exercido todos os dias, porque nem todos os dias são bons, e são as boas memórias que valem ser guardadas, os lugares por onde passamos, as pessoas que conhecemos, as imagens que vislumbramos da cidade, seu céu de manhã, sua vista á noite, suas luzes, seu brilho.
Mudanças sempre farão parte da vida, e, em cada fase, há um pouco para se guardar. Como seria bom colocar em um pote todas as grandes amizades e pessoas que amamos, e levá-los conosco para onde fôssemos.
Tudo o que nos resta, então, é guardá-los no papel, anotar sobre os momentos engraçados e alegres que tivemos, sobre os lugares que visitamos e o que fizemos em todos eles, pois o corpo humano é uma máquina que se desgasta, juntamente com a nossa memória, e como seria bom poder lembrar em detalhes dos nossos tempos de criança, dos tempos da juventude e de todos que seguiremos vivendo até o fim da vida.
Diários, nossa garantia de lembranças magníficas. Quanta saudade trarão daqui um tempo, quando tivermos a oportunidade de  reviver tudo de novo em seus papéis.


 
 
Minas, suas montanhas abraçam a minha cidade e todos os seus ipês floresceram pra se despedir de mim. Levarei seus aromas, cores, sabores.  
A nata cultura que de ti cultivo, onde quer que eu vá, sempre me lembrará de teus horizontes, do teu povo gentil, do meu lar. 

Ontem estava organizando meu quarto, e encontrei, entre várias folhas antigas uma pequena torre. Ela estava abandonada ali no fundo da gaveta e trouxe algumas recordações de quando a coloquei lá. Havia acabado de ir mal em muitas disciplinas, a situação financeira daqui de casa ia de mal a pior. Não tinha dinheiro pra ir estudar na UFMG de ônibus, nem pra pagar o almoço ou um lanche lá.

Essa pequena torre ficava bem à frente do meu olhar, desde que ouvi falar sobre a oportunidade de ir à França estudar em uma École.

No dia em que soube que minhas notas não permitiriam ir, chorei um pouco. Peguei essa torre e a guardei na gaveta... 

Os sonhos que guardamos nas gavetas da vida.

Agora que a encontrei, meu coração se enche de dúvida. Pela segunda vez, algo que realmente quero coincide com a oportunidade que tenho, e tenho um risco real a correr, que pode alterar o curso da minha vida completamente. O que já era difícil aqui na UFMG, na França será mais complicado.

Acredito que a ação que mais pratiquei até agora foi resistir. Resista. Resista a este mundo perdido em supertições, olhares que julgam e determinam onde você deve estar.

Resista quando tudo desmoronar. Quando nada restar. Quando todos os sonhos estiverem na gaveta. Resista e nunca deixe de acreditar, mesmo que seja em silêncio no mais profundo recôndido da tua alma.

Resista.


Então explodiu, 
Como estrelas em colisão,
E irradiou tudo de dentro de si. 

Chamas de fogo e sentimento,
Incêndio de faíscas, 
Queimando de dentro pra fora. 

E mostrou o que estava guardado,
Amor, ódio, saudades, 
Sacudindo um manto quente de verdades. 

Bomba há muito comprimida,
Sufocada enquanto desarmada, 
Se libertou ao ser detonada. 

Revelou sua grandiosidade, 
Espalhou as luzes de seu brilho avassalador, 
Como supernova de emoções.




A
    s                                                       tudo
                       v
                          e                                O que
                              z                                                        V O C Ê
                                  e
                                      s
           
                                                           p r e c i s a 

é         apenas 
                               
                                             G   R   I   T   A   A   A   A   A   A   R 


correndo, olhando para todos os lados
chorando todas as suas alegrias                                            L o U c A m E n T e
sorrindo todas as suas tristezas                                                          L u C i D o

HAHAHAHAHAHAHAHAHAH 


           
Porque é o relógio deles que não para e eles correm contra o tempo para serem felizes todos os dias agora mesmo estão andando de um lado para o outro tic tac precisam do capital querem mais velocidade correm enquanto almoçam atrasados para aquela reunião onde irão discutir para onde irá todo esse lixo e depois têm de falar sobre números números números CORRA CORRA CORRA...


Mas nós só correremos quando estiverem andando,
Só gritaremos quanto estiverem calados.
Eles ficam desconcertados 
Sempre que alguma coisa rompe o padrão.

Nascer aqui é assim.
Ou você se torna um deles
Ou, um dia, cai em desvario.

Pois não há recalque que aguente tudo isso por muito tempo.
O inconsciente se torna cheio de todas as rejeições,
Negações submergidas ao máximo no esquecimento,
Até que um dia, os bloqueios começam a vazar para o seu ego.

E então, você sente que tudo o que você precisa é gritar,
Correndo, olhando para todos os lados, 
Chorando todas as suas alegrias, sorrindo todas as suas tristezas.       

O mar de pensamentos começa a escorrer,
E o mundo das ideias, a girar.
Mas depois tudo se entorta, 
O alicerce se adunca e torna tudo certo.

E esse é o errado certo modo de viver,
A melhor das formas,
A melhor das loucuras.

Porque eu tinha um amigo que começou são,
E a sua sanidade o traiu.
Estava tudo bem,
Mas no seu fim, amou como se fosse máquina.

Beijou sua mulher como se fosse lógico.
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas.
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro.

E flutuou no ar como se fosse um príncipe.  
Se acabou no chão feito um pacote bêbado.
E morreu na contramão atrapalhando o sábado



Temos esses pequenos espaços que sempre restam entre nós
Não é totalmente nossa culpa, a existência deles
Seria o mesmo que culpar o vento que sopra por ser frio ou quente demais

Mas é perigoso para seres adaptáveis imaginar que eles não o são
É considerar-se prisão antes de se dar a chance de voar

Todo percurso tem guerras cruas e nuas
Todo caminho tem pedras
E inevitavelmente

Possui estes pequenos espaços entre nós dois