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    s                                                       tudo
                       v
                          e                                O que
                              z                                                        V O C Ê
                                  e
                                      s
           
                                                           p r e c i s a 

é         apenas 
                               
                                             G   R   I   T   A   A   A   A   A   A   R 


correndo, olhando para todos os lados
chorando todas as suas alegrias                                            L o U c A m E n T e
sorrindo todas as suas tristezas                                                          L u C i D o

HAHAHAHAHAHAHAHAHAH 


           
Porque é o relógio deles que não para e eles correm contra o tempo para serem felizes todos os dias agora mesmo estão andando de um lado para o outro tic tac precisam do capital querem mais velocidade correm enquanto almoçam atrasados para aquela reunião onde irão discutir para onde irá todo esse lixo e depois têm de falar sobre números números números CORRA CORRA CORRA...


Mas nós só correremos quando estiverem andando,
Só gritaremos quanto estiverem calados.
Eles ficam desconcertados 
Sempre que alguma coisa rompe o padrão.

Nascer aqui é assim.
Ou você se torna um deles
Ou, um dia, cai em desvario.

Pois não há recalque que aguente tudo isso por muito tempo.
O inconsciente se torna cheio de todas as rejeições,
Negações submergidas ao máximo no esquecimento,
Até que um dia, os bloqueios começam a vazar para o seu ego.

E então, você sente que tudo o que você precisa é gritar,
Correndo, olhando para todos os lados, 
Chorando todas as suas alegrias, sorrindo todas as suas tristezas.       

O mar de pensamentos começa a escorrer,
E o mundo das ideias, a girar.
Mas depois tudo se entorta, 
O alicerce se adunca e torna tudo certo.

E esse é o errado certo modo de viver,
A melhor das formas,
A melhor das loucuras.

Porque eu tinha um amigo que começou são,
E a sua sanidade o traiu.
Estava tudo bem,
Mas no seu fim, amou como se fosse máquina.

Beijou sua mulher como se fosse lógico.
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas.
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro.

E flutuou no ar como se fosse um príncipe.  
Se acabou no chão feito um pacote bêbado.
E morreu na contramão atrapalhando o sábado



Temos esses pequenos espaços que sempre restam entre nós
Não é totalmente nossa culpa, a existência deles
Seria o mesmo que culpar o vento que sopra por ser frio ou quente demais

Mas é perigoso para seres adaptáveis imaginar que eles não o são
É considerar-se prisão antes de se dar a chance de voar

Todo percurso tem guerras cruas e nuas
Todo caminho tem pedras
E inevitavelmente

Possui estes pequenos espaços entre nós dois


                                                                         Os Arrais - Caneta e Papel

Meu bem me dê a sua mão
Ao entrarmos juntos na embarcação
Pro outro lado do mar
Além do que o olho vê
Com o vento em nosso favor
Não temos o que temer

Tempestades certamente irão nos alcançar
Longe no alto mar sem uma estrela a nos guiar
Mas a calmaria virá
Com águas tranquilas em mãos
Na luz que dá nome à manhã
Mais perto estaremos do lar

Meu bem não esqueça caneta e papel
Pra pôr em palavras o que iremos ver
Na rota diante de nós
Descrita por nossas mãos
O que mapas não podem dizer
Com traços, com pontos, e vãos

Meu bem me dê a sua mão
Ao entrarmos juntos na embarcação

 
Rostos segmentados e marcados.
Os fechos encaixados nas faces tampam a visão,
Calam as bocas,
Sufocam o respirar,
Abrem poros latentes,
Com zíperes percorrentes,
Capazes de virar caras do avesso,
Expor veias, artérias, sangue,
Escancarando com desprezo,
Caso alguém tente rasgar ou tente descosturar os fios que escondem os fatos
E que estofam fala entupida.
O estilista sádico reforma os manequins,
Trabalhando com seus delicados apetrechos:
Agulhas, opressão, alfinetes;
Tesouras, imposição, estiletes.
Molda cada lote de cabeças, padronizando todos eles iguais.






                                                                                 Cecília Meireles- Canção

 Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
 

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
 

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
 

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
 

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.



A terra parou, ás 4 da manhã.
Uma madrugada eterna abraçou todos os seres.
Os que dormiam, sorte deles! Descansaram a alma e despertariam em renovo. 
Mas os acordados, quanta pena! 
Ficaram estagnados no frio daquela noite, 
Repassando lembranças na mente, criando histórias para fazer passar o tempo. 
Pobres dos ansiosos! 
Mas o tempo não passava, como se alguém estivesse segurando a terra e ela não girasse mais. 
O sol não se aproximava e os acordados mal sabiam o que lhes esperaria quando o mundo voltasse a girar.


Ainda caminharemos por aquela praia.
Areia molhada, pés descalços,
Silêncio da natureza, sem relógios por perto.

O resto do mundo ficará lá fora, 
Longe de nós
E do mar que beija as nuvens no infinito.

Se o vento nos encher de paz interior,
Então teremos a resposta, 
Poderemos nos eternizar. 

Nos sentiremos seguros, como se estivéssemos em casa, 
Com ondas quebrando no nosso quintal, 
E caminharemos por aquela praia.

                                                                               de Srta. Poesia;

Como escrever o homem?
Há horas desvelo, procurando uma nova essência.
Fazer o poeta não é fácil,
Noites se vão, e ele ainda está vazio.

Um autor deve ter sua originalidade,
O que torna o ofício ainda mais laborioso.
Pois os homens de hoje são escritos com a mesma sina;
Se apegam as coisas, pensam todos iguais.

O que escrever no meu incrível tecido textual?
Nessas folhas em branco, que maquinam as palavras,
Que tornam vivas as histórias delineadas,
Que chegam ao mundo pela maiêutica do autor?

Não o farei como os outros.
Talvez, um pouco mais de emoção e paixão.
Quem sabe, o sorrir para o mundo.
Ah, um espírito contestador! Seria bem original.

Nesse entrelaçar de ideias construímos a obra.
Os parágrafos são reescritos inúmeras vezes,
As páginas, em constante revisão.
É no acertar de vírgulas. Uma vírgula faz toda diferença.

Vida de poesia não é fácil.
Após um longo caminho, enfim, fazemos o poeta.
Damos a luz a obra,
E, com apertado coração maternal de autora,
A entregamos ao mundo, para que possa, por sua vez, fazê-lo.








 A estrada era de terra
E a terra era preta.
Por ela se passava a vida,
Estrada longa, estrada imprevisível.

Bifurcações, segmentos retilíneos.
Superfícies aplainadas, ladeiras difusas.
O caminho por cada um era feito de uma forma,
Mas só se caminhava sozinho.

Havia uma peculiaridade:
Não se podia andar para trás.
Passos a frente, levados pelo vento,
Cada um recrudescia o peso.

Via-se o caminho já percorrido,
Mas com o passar do tempo, era difícil enxergar o começo.
Estrada negra, longa.
As lembranças se apagavam.

Mas ela deixou um rastro de pólvora ao longo do caminho.
A pólvora era invisível na estrada.
Mas ainda estava lá.

Então, quase no fim da caminhada,
Onde já não restavam sentimentos, sensações, rostos, algo pelo que aspirar,
Ela acendeu uma faísca que tocou o chão.
E a chama que foi se ascendendo iluminou todo o caminho.

Agora via-se o começo, pois havia luz.
E o fino feixe de pólvora, na negra estrada de terra, resgatou todas as lembranças,
Momentos vividos ao longo da estrada,
Vida.




Matteo chega ao mundo aos plenos pulmões
começa sua dança pelos dias cuja música está a criar
a poesia e o amor de dois seres se faz carne
tornando realidade, sonhos bons

os sentimentos que ele terá
os sorrisos, as lágrimas
é impossível prever

sabe-se apenas que será um menino a sonhar



Devia trocar de roupa,
Vestir a liberdade,
saia colorida, cheia de fitas.

Devia rodar essa saia,
Balançar os panos,
Fazendo ventar tudo ao redor.

Devia desfilar esse modelo,
Na frente dos antigos,
Os retraídos e submissos.

Devia lançar essa moda,
Liberdade pra viver, liberdade pra sentir.
Saia justa não. Saia leve e solta.

que em nossa pequena cabana
entre a lareira e calor de ti
a luz presente seja interior
Sussurros na Escuridão




Os seres nascem cheios de luz,
A luz que ao longo do tempo se esvai e dá seu lugar á escuridão.

O brilho que se perde retorna facilmente ao peito,
Mas as sombras que um dia entram nunca se vão por inteiro.

Ficam guardadas,
Ficam perdidas nos cantos das dimensões do inconsciente.

Nos tempos em que toda luz se vai,
Tudo o que resta, escondido profundamente, aflora e recobre, contorna como um furacão.

Um abraço de fantasmas, sombras, umbra em gradação;
Ventando névoa de lembranças e sussurros na escuridão.




E quando chegarmos lá, o que será de nós dois?

Que sempre colocamos todos esses sonhos acima de nós mesmos
Como se naturalmente quiséssemos alcançá-los sem respirar

Afinal, pra que serve respirar?
Podemos segurar a respiração abaixo da superfície
Existir entre os momentos em que estamos na faculdade
Viajar entre os vazios da nossa vida produtiva

E cada poesia que eu teceria seria sobre você
E cada palavra que eu dissesse em voz alta
Poderia viajar os continentes pra te alcançar

Can you "feel it coming"?

Entre todos os caminhos que explodiram na minha cara essa semana
Que sejamos reais

Mais que todos outros sentimentos, experiências e palavras
Que sejamos reais