esses olhos de entardecer resolveram nascer no meu peito
enquanto estou aqui olhando pra porta do meu quarto aberta
deitado entre os cobertores leves
talvez até leves demais pro vento que entra pela janela

talvez quando me expresso pra te dizer o quanto você é incrível
não fique tão claro porque digo isso
a verdade é que não sei

não sei porque não é possível saber coisas que apenas sentimos
não consigo colocar em palavras ainda o que sinto quando olho pra ti
quando sinto seu toque na minha pele
ou seu levantar de sobrancelhas quando me olha
como quem dissesse "e aí? está pronto pro desafio?"

sinto que estou

sempre há tempo
para castelos de areia

 


Na terra dos homens,
Há verdades e enganos.
Eles se dizem livres,
Mas não sabem que há um rei.

O rei que a todos controla
É invisível como o vento,
Quando se faz presente,
O seu passar oscila em leve sopro,
Reflete na vibração das folhas.

Não obstante, descrêem que ele existe.
Seria loucura tentar ver,
Se é mais fácil ignorar o que é invisível,
Viver sob o filtro que dissimula a vida em liberdade.

Na terra dos homens,
Dizem que não há leis.
Cada um faz sua escolha
Sem saber que foram direcionadas.

Os homens se dizem felizes,
Mas não sentem a felicidade.
Conhecem apenas alguns sinônimos,
Com isso se contentam.

Na terra dos homens,
Existem aqueles que são loucos,
Que dizem a todos que estão enganados,
Que estão sendo controlados.

Os loucos falam com o vento,
Brigam contra o seu soprar.
Os sóbrios são apenas levados por ele,
Seguem por onde o fazem voar.

Quem acorda pela manhã,
Na terra dos homens,
Não se lembra dos sonhos da noite.
Eles assim preferem; pois sem lembranças não há pesadelos.

Na terra dos homens,
Existe um palácio invisível.
De lá, o rei que o habita enxerga a todo lugar.
De tudo o que pode influenciar,
só não o pode fazer nos sonhos dos que dormem.

Viver na terra dos homens
É estar nos balançares do contentamento.
Enquanto todos vivem bem,
Um a todos dá os olhos do bem viver.

Entre verdades e enganos,
Enquanto os loucos se aceitam loucos
E não acham na sobriedade a verdadeira loucura,
Na terra dos homens,
A expectativa nunca se quebrará em veracidade.



sinto o roçar dos seus lábios na minha boca nessa noite
são lábios tão delicados, tão cheios de vontades
seria preciso uma eternidade pra poder sentí-los completamente

sinto seu ar ainda dentro do peito
como se tivesse respirado ele demais
que meus pulmões tivessem ficado preenchidos de ti

quase como se houvesse mais de uma história pra contar
além dessa que vivemos e viajamos pra onde quisermos nos amar

e se eu pudesse dizer em todos os tons e cores
que não sentia meu peito balançar tanto como nos últimos dias
se eu pudesse dizer que não sei mais o que estou fazendo racionalmente
e reaprendi a sentir, nesses dias contigo?

me dou desculpas, falando que não é pra criar expectativas
vou inventando mentiras pra tentar me convencer de que não é o que sinto
mas afinal, meu bem querer, qual é o mal em dizer que o que sinto

realmente é
e só pode ser
amor?

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Em meio as rotinas infinitas; em meio ao movimento da cidade. Nela, cada um tem os seus horários. A maioria das pessoas escolhe correr atrás dos seus afazeres sob a luz do dia, enquanto uma outra parcela trabalha pelas noites. Juntamente com a translação do nosso globo, assim a dinâmica urbana se altera nas cidades, e o fluxo parece não acabar nunca. Porém, existem lugares certos e horas certas, nos quais ainda é possível encontrar uma silenciosa paz.

Eram três horas da manhã, de uma quarta-feira, e não uma daquelas noites de final de semana, em que as ruas estão sempre movimentadas perto dos clubes noturnos e bares, quando, atravessando a cidade - zona norte-centro-zona sul-, pude presenciar uma dessas experiências sobre a sensação de liberdade. Antes de sair de casa, observei ao redor da rua, a mesma rua que era tão cheia durante o dia e que gerava medo de assaltos a noite trazia uma grande paz de madrugada. Mas essa paz era pra qualquer um? E se eu estivesse sozinha, a sentiria também? Minha mãe colocava algumas coisas no carro, enquanto eu pensava na garagem. Àquela hora, soprava um maravilhoso vento frio e inacreditável, em plena estação de verão. 

Quando o carro partiu, em todo o bairro se observava o mesmo padrão silencioso e o mesmo vazio nas ruas, até quando, de repente, vi um único homem, que parecia ter uns trinta anos, vestido com roupas esportivas caminhar tranquilamente pela avenida, como se não fossem três horas da manhã,  como se não houvesse perigo nas ruas, como se qualquer um pudesse sair andando naquela hora e  naquele lugar, naquela maravilhosa paz. Senti muita inveja daquele homem, primeiramente, porque ele era um homem e podia andar sozinho de madrugada, sem medo de ser violentado. Além disso, ele ouvia música no celular, e quanta inveja eu tive de não poder andar despreocupada com o meu celular a mostra daquele jeito, pois, mesmo sendo meu, andar com um aparelho eletrônico na rua era uma certa proibição pessoal, cuja sanção negativa era o desconfortável tormento de atrair um assalto. Acho que quando as pessoas já foram roubadas três vezes, elas criam traumas, e, por conseguinte, os traumas criam as regras. Também me invejou como aquele homem andava sem ter a consciência pesada de trazer preocupação a alguém. Se fosse eu, pensaria a todo instante que minha família estaria preocupada, só de saber que eu estaria sozinha. Eu, uma mulher, sozinha na rua de madrugada. Quais as chances de eu ter essa experiência sem todas essas preocupações extras? 

Por um instante, senti aquela sensação de liberdade, mas não em mim, apenas naquele homem. Qual seria o diferencial dele, em relação a mim, que o permitia ser tão livre? Seria a idade? Se acaso eu   estivesse na casa dos trinta anos, será que, ainda assim, andaria com tanta segurança? Triste pensar, mas acho que não. Acho que é sobre ser mulher, sobre ter crescido cercada de "ideais", os quais, um dia, nos levam a perguntar como foi que as coisas chegaram a esse ponto e o que fazer para que elas mudem. Acho que é sobre crescer em uma sociedade que ensina que você deve ter medo, porque a maior parte dos casos de violência e roubo acontecem com "o sexo mais frágil" e porque várias mulheres são estupradas a cada hora no meu país. Te aconselham contando histórias de terror, para criar o medo que vai te "proteger" e te impedir de se arriscar em meio aos perigos da cidade.

Talvez, para aquele homem, não houvesse diferença em ser três horas da manhã, talvez não houvesse perigo nas ruas, talvez, para ele, qualquer um pudesse sair andando naquela hora e naquele lugar, naquela maravilhosa paz. Mas, ainda que um dia eu tenha a oportunidade de vivenciar aquela mesma experiência, não posso afirmar que a minha mente e os meus pensamentos vão me deixar ter a mesma  sensação que o despreocupado moço teve; não depois de anos de experiências absorvidas nessa  sociedade cheia de histórias trágicas, que serviram de molde para a construção dos mecanismos de defesa do meu aparelho psíquico. 

O carro atravessava a cidade, e minha mãe estava feliz por não estarmos atrasadas para buscar o meu pai. Era fácil observar que, em cada espaço, as dinâmicas sociais eram diferentes naquela hora da madrugada. Em alguns lugares, três horas da manhã representava um momento raro, fora da correria e do acelerado ritmo cotidiano. Enquanto observava as ruas, me sentia triste por experimentar aquela tranquilidade lá fora apenas com os olhos, observando pela janela, sem poder sair andando como o homem que eu vira há pouco tempo, caminhando sozinha e sem preocupações, naquela madrugada tranquila, sentindo o maravilhoso e inacreditável vento frio soar em pleno verão. 















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Tão lastimável quanto estar atrás de portas e janelas fechadas, ouvindo o som do vento lá fora, mas não poder senti-lo. Queria sentir o vento, tanto quanto queria ler as palavras, poder saber se há alguém do outro lado, recebendo as cartas, os envelopes cheios de histórias, de bobagens, de retratos, de lembranças, de curiosidades, de sentimentos. Só restam hipóteses. Será que ninguém abriu a caixa de correspondência, ou será que a correspondência não é digna de ser correspondida? Lastimável. Uma lástima não poder saber. Queria uma palavra que fosse, mesmo que fria, sentir o vento gelado é melhor do que não sentir. Deveria ser tão mais fácil, bastava colocar tudo no papel, encaminhar tudo o que era de se expressar dentro daqueles envelopes, esperar tranquilamente, receber a devida resposta, sem a agonia de ficar imaginando o que meu destinatário está pensando, o que está sentindo, por que não responde. Cada envelope sem resposta criava uma apertada necessidade de se escrever uma nova carta, acho que era uma forma de tentar compensar os desastres anteriores que nunca foram respondidos. Cartas em cima de cartas, que pena da escritora. Todo aquele conteúdo que se tornou aleatório, meio desleixado, um assunto atrás do outro. Quanto medo de ser desagradável. Talvez não fosse culpa da escritora, talvez apenas não mais houvesse nenhum leitor do outro lado, mas como saber? Parar de escrever e esquecer tudo, ou insistir até que um dia as cartas transbordem pela caixa? Talvez fosse melhor enviar aquela carta que nunca tive coragem de enviar, aquela que deveria ter sido a primeira a ser enviada logo depois que a agonia começou, a que ficou guardada enquanto eu insistia em escrever várias outras: 


"Caro leitor;
Tenho escrito bastante, todos os dias, para te presentear com a minha coleção de histórias e momentos. Tenho compartilhado tudo de mim, dedicado um bom tempo, para que você pudesse ler toda a história antes de entrar nela. Assim tenho passado o tempo, e a cada momento dele você está ligado de alguma forma. Quando escrevo, é para você. Quando não escrevo, estou a esperar sua resposta, a resposta que nunca chegou. Me lembro de quando você ainda me respondia, de quando haviam sempre envelopes amarelos na caixa do correio. Sempre fico a pensar quando foi que você perdeu a vontade de escrever, ou quando, simplesmente, parou de abrir as cartas. Mas enquanto isso, enquanto te escrevo aflita, o vento balança a vida, fora dessa mesa cheia de envelopes e papéis. Então, hoje, decidi que é tempo de abrir as janelas e as portas. Que voem todas as folhas, cartas, rascunhos, cartões! Quero sentir esse vento. Que ele faça voar aquelas histórias por ai. Quem sabe, talvez, elas até encontrem um novo leitor que há de as responder. Meu caro, essa é, então, a minha última carta. Foi um grande prazer receber os seus escritos daquele tempo e poder compartilhar os meus. Mas o trocar de experiências e sentimentos é uma via de mão dupla, então, agora que você já não parece estar mais do outro lado, te escrevo o meu adeus."


Enviar ou  insistir em esperar?


não quero te mudar, nunca quis
nem nunca vou querer, você é incrível demais
você tem seu próprio caminho e suas próximas histórias pra viver
tem sua música a cantar e dançar pelas ruas que quiser dançar

os dias que quiser sorrir e os dias que quiser ficar triste
você é absolutamente livre, sempre soube disso
você é infinita e ninguém pode te limitar

talvez seja por isso que estamos juntos
temos todas essas histórias pra contar
e todo esse tempo sem querer se prender
talvez não

eu não ligo
se um dia não estivermos juntos
pelo menos vivemos esse instante aqui

agora



há muito naqueles instantes que antecedem as palavras "vamos mais devagar"
o que eles querem dizer? são quase um enigma pra mim
todas essas histórias que nunca são vividas
momentos perdidos, por simples espera

o que há pra esperar?
não é como se adiar as coisas nos fizesse melhor de algum modo
nem como se estar junto fosse um atraso e requirisse qualquer sacrifício
talvez você não veja, mas nas minhas mãos não tem nenhuma algema

somos livres, podemos viver o que quisermos viver
não peço compromisso eterno nem que todos os dias troquemos mensagens
é tão simples, não há nada pra esperar

e meu amor, há tanto pra viver


- Pare de elogios e me faça sentir incrível - Ela disse enquanto estávamos deitados na grama. 

Era uma manhã ensolarada de domingo, não havia uma nuvem no céu. O vento se movia lento pelas folhas das poucas árvores ao redor. Havíamos chegado cedo com uma mochila de piquenique, uma toalha velha um pouco rasgada, repelente "anti-mosquito-de-febre-amarela", como ela gostava de dizer. Haviam surtos de febre amarela em BH na época, era estranho como um criatura tão minúscula quanto um vírus podia destruir completamente nossos corpos. O mínimo dos detalhes.

Ela notou que eu havia viajado durante alguns segundos, pois seus olhos estavam fixos nos meus. Eram lindos. Percebia-se claramente um pouco de loucura neles. Como eu amava aquela loucura castanha. Poderíamos ficar ali, ela me encarando enquanto eu a olhava, mas ela nunca deixava que eu completasse um pensamento sem saber o que eu havia pensado.

- Estava pensando sobre febre amarela, como algo pequeno destrói nossos corpos.
- Somos frágeis meu bem, sempre fomos, sempre seremos.
- Gostaria de ser mais forte.
- Com qual objetivo?
- Como assim? Ser forte é bom pra tudo.
- Tudo o que? - Ela sempre queria chegar ao fundo das questões.
- Não sei.

E não sabia. Porque escolhemos ser fortes? Ela estava deitada no meu colo, a levantei um pouco e deitei ao seu lado, colocando sua cabeça de volta em mim, no meu peito. A pergunta voltou pra mim enquanto olhava pro céu sentindo o perfume dos cabelos dela no meu corpo. Porque escolhemos ser fortes céu? Primeiramente, será que foi uma escolha? O modo como chegamos aqui sempre pareceu tão brutal pra mim, tão cruel. Mesmo sem querer sempre passamos por cima de outras pessoas e a mínima noção de poder é plenamente capaz de corromper o mais idealista dos revolucionários.

- A pergunta talvez seja mais profunda. O que é força pra você?
- É não precisar se machucar nem machucar o outro pra encarar e resolver uma situação.

A resposta me atingiu em cheio. Em meu silêncio ela percebeu uma reflexão e ponderou:

- É o que os Jedis possuem.

Star Wars veio à mente, como os Jedis pereceram no final do episódio 3.

- Os Jedis foram massacrados no fim do episódio 3, se eles tinham tanta força, como eles foram massacrados? - Minha pergunta era sincera.

- É preciso força pra se deixar ir. É preciso força pra encontrar o equilíbrio.

O vento resolveu soprar um pouco mais forte e trouxe nuvens pro céu. Choveria em alguns instantes.

- Talvez.


existia há quatro anos atrás, um rapaz chamado Eric
ele tinha 19 anos, estava no pico de uma crise existencial e depressão
esse rapaz, pra se manter vivo
escreveu cartas para o futuro

sim, a única maneira que ele encontrou de sobreviver foi ter fé no futuro
de que alguma forma, depois que o tempo passasse, ele conseguiria voltar a ser ele mesmo
de alguma forma, ele se encontraria, bastava resistir algum tempo

para tal, ele entrava no Google Agenda e criava eventos em datas muito distantes
a seguinte carta, encontrei olhando minha agenda da semana que vem
hoje sou outra pessoa, e os planos de Eric de 19 era ter enviado essa carta pra alguém que estava em cópia no evento

mudamos
e não vale a pena reviver o passado, mas de qualquer forma
não significa que ele deve ser ignorado
dessa forma, segue a carta planejada para o dia 06/03/2017 às 21h :

"Quanto tempo demora pra eu esquecer que eu te amei mais que a minha própria vida?

Olha só. Tenho 19 anos. Você, quando receber essa mensagem, terá 24 anos. Feliz aniversário, aliás. Quantos sorrisos você terá dado de mentira? Quantas vezes você terá amado? Quantos homens você deverá ter roubado o coração? Quantas vezes você terá se entregado aos meros caprichos do tempo? Não sei. Não faz sentido saber também.

Como é ter 24 anos? A sensação de ser madura deve ser incrível. De ter se formado, passeado em outros países, conhecido tantas pessoas, passeado entre tantas memórias e aproveitado cada uma delas, como a vida é. A vida, fascinante.

Eu terei 23, não sei onde estarei. É terrível essa idéia? Não sei. Não sei mesmo. Nossa, e esses dias, você me dizendo que eu não era mais seu "confidente". Fala sério, o quão estranho é dizer isso. Achei que fosse seu amigo, não o carinha que te ouve, achei que fosse seu companheiro (pelo menos enquanto a gente namorava), não o carinha que te dá abraços sem querer abraços em troca. Adivinha? Eu queria. Abraços, carinho e atenção. Queria que você tivesse tentado me fazer feliz. Ao menos tentado. O que sobrou pra mim depois de tudo foi solidão. Pra você, se saiu bem, com atenção e com tudo que eu havia lhe dado, com tudo de mim. Porque vocês são tão terríveis? Com outras pessoas foi a mesma coisa, eu me entrego, não sou compreendido, me perco e fico nessa lama de merda aqui, todo atolado, ah que bonito dizer isso. Enfim, 4 anos se passaram. Eu devo ser outro cara, focado em outros objetivos, com outros caminhos. Também vou receber esse e-mail, mas devo ignorá-lo, principalmente porque no ano que vem, você vai receber outro e-mail, que foi escrito segundos antes desse aqui.

O tempo é uma coisa engraçada. Não tem teto, não tem nada. Ninguém pode sentar nele não, porque no tempo, não há chão. Mas quem senta no chão se é formado em Direito? Que nada, não se senta mais no chão com 23, 24 anos. É coisa de criança.

Sabe, tudo que eu mais queria hoje era que um dia você tivesse dado um passo na minha direção. Um só. Um passo pra me abraçar, um passo pra me entender. Enquanto eu ia embora de Ouro Preto, eu só queria que você tivesse corrido e me abraçado, e mesmo se eu nunca mais a visse, eu ainda saberia que pelo menos o meu peito podia ser feliz, porque além de tudo, além de toda dor, tristeza, ainda restavam as memórias e que por elas... por elas, valeria a pena ao menos receber um abraço sincero de uma amiga.

Pena namoros serem amizades com prazo de validade....

Ah, estou sendo chato, triste, depressivo e um tanto infantil aqui. Não ligo. Quem um dia já me telefonou só pra me xingar e ofender minha mãe, merece um pouco disso. Mentira, não merece. Nunca mereceu.... O pior de tudo é que eu ainda te amo.

Esse é o pior de tudo. Porque não importa o que você faça, eu ainda penso que você está só tentando se achar. Não importa quais suas escolhas, você ainda está só tentando encontrar o próprio caminho por onde você vai fixar o que realmente importa. Eu devo ser um grande idiota. Na verdade, eu sou. Ao menos você só vai descobrir isso daqui a 4 anos, quando esse e-mail chegar. ... Aliás, acho que você já sabia quando a gente namorava. Por isso ria tanto das minhas piadas que não tinham nenhuma graça.

Ainda lembro dessa risada. "

e qual o problema meu bem?
em querer se apegar um pouco
um pouquinho só
se apegar ao cheiro
ao toque e ao beijo

não tem problema algum
então deixa
deixa sentir bem
deixa viver bem

falta tão pouco pra tudo acabar
estamos em contagem regressiva
porque não amar 
e deixar ser amada
só um pouquinho?

em todas as mitologias grega, romana, persa, indiana, egípcia e cristã
sempre existe um ser munido ou não de asas, responsável por mudar nossas vidas como meros mortais
além dos deuses e de seus caprichos e anseios, existe um olhar quieto e profundo
de seres que compadecem das fraquezas mortais e auxiliam em jornadas individuais
por mais difíceis que elas sejam

existem segredos e palavras que apenas são ditas poucas vezes
e verdades que deveriam ser repetidas mil vezes
sobre como, talvez, esses seres vivem conosco dia a dia
não como mitologia mas como carne viva que respira, chora e sente
o faz conosco, e torna nossa vida um pouco mais leve

hoje você faz aniversário Moon, você tem em si tantos mundos e uma essência tão poética
tem seu caminho livre pela frente, pra perceber que é uma pessoa realmente única
e que o mundo tem sorte de tê-la, pois sem você, o meu mundo por exemplo
teria morrido 4 anos atrás

sei que lidar com a vida e morte todos os dias deve ter um peso enorme em ti
principalmente nessa época em que você se sente tão só
mas você não está só, estamos todos aqui te apoiando sempre
sempre prontos pra uma boa conversa, como sabemos que você está pra gente

obrigado por existir e lembre-se sempre das pessoas que você salvou
como eu

seu eterno fã
e amigo até esse mundo todo acabar em cinzas
moça dos olhos de cigana oblíqua e dissimulada

feliz aniversário Moon

dançamos com pouco jazz
perdidos fora do paraíso
dançando pelas ruas
cheias de pedras descalças

e porque não dançaríamos amor?
fomos feitos pra dançar
pra erguer esses rostos pro céu
enquanto a chuva tenta nos lavar

mas estamos cheios de paixões demais
cheios de felicidades e verdades
todas boas demais
pra saírem do peito com uma simples chuva

entre poças
vamos dançando no barro
entre amassos
vamos nos amando em cada passo

e no fim, quando não houver mais tempo
me concede uma última dança?

quero só de ti 
lembrar mais um momento


e todos esses sorrisos que não demos
essas memórias que não temos
por não saber tão bem se amar
talvez precisássemos de mais tempo
entre pequenos passatempos
pra aprender a viver atentos
e não deixar esse instante passar