Aquarelle qui peinte la journée
Chaque point de lumière de sa propre côté
Est-ce qu'on pourra se voir une autre fois?

J'aime trop ta façon d'être
Je trouve ce verbe très fort en français
Dans d’autres langues il est presque silencieux

Être
Il sonne l'existence

Acho que o maior problema em relação ao que sinto é a solidão intensa. Não é como se os poucos momentos que estive aqui parado pensando na vida fossem realmente essenciais. Parece que os outros estão cada vez mais distantes, um pouco mais perdidos no tempo e afastados de mim. Queria saber mantê-los próximos, como se fôssemos sempre amigos sabendo nos amar sem se cansar. Talvez o que eu queira dizer é que sinto sua falta e é como se realmente me faltasse ar. Pego a bicicleta todas as manhãs, andando pelas ruas esperando te encontrar. Passo sob chuva, xingamentos, pessoas más e toda falta de esperança perdida no tempo que não temos pra respirar. As aulas passam rápidas, as janelas sujas por pombos que não sabem onde deveriam estar. 

Paris é uma cidade perdida num mundo isolado em que todo ser pretende manter seu egoísmo até enfim se pulverizar. Observo os computadores à minha frente, meus amigos acessando a internet, buscando passagens para viajar para lugares que nunca antes estiveram. Fico pensando se eles, existindo dessa maneira, conhecendo diferentes prédios, relevos e combinações de cidades, rostos e vidas terão uma experiência real sobre o que é, mas principalmente quem eles mesmos são. 

Se todo esse urbanismo fosse feito por robôs... Pena que tudo é uma mentira gigante, não estamos isolados. Tudo se transforma, tudo se cria e tudo se perde pelas mãos humanas. Pedras não sobem montanhas nem sabem interpretar o Universo. As pessoas que as conceberam são os verdadeiros construtores da realidade. Meu enigma atual é que não vale a pena ir aos lugares e sim ir até as pessoas. É de gente que precisamos. Pessoas boas em todas as nações, em todas as partes, todas as línguas e almas.

É a única coisa que pode salvar a humanidade de si mesma. Realmente não é o grito dos maus que me assusta, mas sim o silêncio dos bons.


Sabe quando por um segundo, um pequeno pensamento passa pela sua mente? "Poderia ser eu". Inevitável e tão instantâneo. Quando o mundo grita seu nome no meio da neve. Quando suas mãos estão rachadas pelo frio e um arrepio percorre seu corpo.

Acho que o que mais me incomoda em toda essa história é a falta de razão de existir nas pessoas. Tantas pessoas, nossa... tantas. Sentadas em suas cadeiras, lendo os livros que contém instruções de como elas podem ganhar dinheiro para outras pessoas mais ricas. É como se todos realmente estivessem loucos. 

O que mais me fascina na humanidade é o motivo que a leva acordar de manhã, tomar um banho e continuar a viver. Porque as pessoas fazem o que fazem? Porque continuamos a viver dessa forma, se aparentemente ninguém está totalmente confortável, ninguém pode nunca ficar satisfeito e a maioria das pessoas fazem as profissões de suas vidas inteiras porque vão ter mais dinheiro pra sobreviver e não por serem apaixonadas pelo que fazem.

Quais foram os paradigmas que mudaram pra sempre a humanidade? Aqueles que ela valoriza tanto que foram editados sem que ela notasse?


Tenho pensado continuamente porque estou aqui. 

Esse último mês foi realmente arrastado por mim. Fiz tudo nos últimos momentos, não planejei ou estudei com antecedência. Foi tão caótico e errado. É quase como se eu não conseguisse encontrar um motivo ou razão pra realmente me dedicar às coisas. Eu me sinto só, me sinto triste, sinto que não tenho exemplos pra onde olhar, sinto que meus amigos estão distantes e meus objetivos nunca estiveram tão fora do alcance das minhas mãos. É quase como se eu estivesse preso dentro da minha mente e tudo me incomodasse imensamente. Não ter internet boa em casa, não conseguir trazer pessoas na minha casa, morar distante de Paris, não ter inspiração e estar minguando poeticamente. Sou um ser de intensidades, mas nesse marasmo não há como prosperar.

As pessoas perguntam como eu estou, eu falo, elas falam que eu vou ficar bem. Realmente, estou sendo super bem ouvido. É como uma nova fase de depressão, mas no lugar da dor e da tristeza, eu vivo em um constante estado de catatonia emocional. Parte de fazer as coisas bem feitas, é fazê-las com vontade, colocar sua marca nelas. Mas isso só acontece quando você realmente tem vontade de fazê-las. Como um professor uma vez disse, você tem que fazer o que te dá tesão. Meu tesão na engenharia tem sido tão baixo. Eu amo o conceito, a idéia. Amo que ela me possibilite ver a vida de uma maneira diferente, ganhar uma nova perspectiva. Mas depois que eu adquiro essa nova idéia... E aí? O que tem depois? Era isso? Chegamos ao limite da capacidade humana? Como eu avanço daqui? Agora é só procurar um dono de empresa me dar dinheiro por essa habilidade nova? Sentar, fingir de morto, girar e dar a pata em troca de dinheiro, é isso?

Sabe, que esse sentimento queime. Já está na hora de construir algo novo dentro de mim. Se esse algo novo tiver que sair das cinzas, que seja. A mudança só acontece com o incômodo. E como esse marasmo me incomoda...



Conseguimos falar com amigos, família e amores ontem. Não deixamos que a vida fosse levada pelo vento, tomamos decisões e comunicamos claramente quem somos. Não existe uma terceira opção entre dizer ou não a verdade. É quase como se a nossa existência fosse binária quando se trata de comunicação. É possível adulterar uma verdade, mas a partir desse momento ela se torna uma mentira. Existem pequenos momentos em que eu realmente gostaria que tudo isso terminasse. Tudo é cheio de cor, intensidade, som e fúria. Viver não é nada fácil. Minha fascinação pela humanidade talvez parta daí. Sei como a vida é uma dificuldade imensa. Abrir os olhos, receber e lidar com todas essas informações, pessoas e sentimentos, enfim, uma existência para lidar.

Todo ser humano é um herói pra mim. 


Estou cansado. A falta de sol é impressionante. Meu corpo mesmo dormindo mais tempo fica sem energia. Meus olhos não se abrem direito e só o ato de levantar já custa muito. Existem algumas coisas me incomodando. Uma elas é essa dança que cada vez que aumenta o ritmo, afastando quem se ama.

É inevitável pensar que todas as experiências que vivemos faz com que encontremos novas pessoas e que elas podem vir a ser alguém com quem desejamos ter uma vida. É interessante ver também como essa dança conduz o pensamento para o lugar do “quero que você fique bem e feliz”.

Acho que o que mais me atrai nela é a independência. Essa dança é um outro nível de independência. É como se os sentimentos nela, as ações e as escolhas fossem mais poderosos. Como se  fosse um jeito de viver dançando pela vida, sem nenhuma ligação, sem nenhum compromisso. É cruel e maravilhoso.

Já aprendemos de outras vezes que essas folhas que o vento leva são lindas e cruéis. Mas e as folhas que sopram o próprio vento?
 
Às vezes, quando pensamos demais, esses pensamentos criados voltam pra nos atormentar. É estranho estar preso em um estilo de escritura travada, como se não pudéssemos fugir do que somos. Como se aos poucos a prisão fosse tomando conta de quem somos. Mas não é como se quiséssemos fugir. É estranho como esses pequenos trechos de vida tomam conta do todo quando não prestamos atenção. Ok, não precisamos falar tudo em metáforas. O que aconteceu foi o seguinte, basicamente, eu estou me sentindo mal porque usei uma parte do amor que possuía, pra amar alguém e no fim, deu tudo errado porque aparentemente não se pode fazer isso no belo mundo de hoje.

Não é como se fosse uma lição que eu já não tivesse aprendido. O mais engraçado é como alguns vídeos influenciam ou ironizam minha vida. Hoje cedo por exemplo, abri meu feed de notícias no facebook e tinha lá um vídeo de um garoto aparentemente da minha idade, que foi aprovado em um concurso pra ser juiz federal. Suas roupas estavam em perfeito estado, usava seu sapato mocassim, um bom relógio no pulso, postura impecável, linguagem com dicção perfeita. Uma parte de mim sabe que posso me tornar ele, uma parte de mim pensa “o que um garoto com todos os privilégios, sabe sobre justiça?” e uma outra parte me faz imaginar qual parte do seu discurso sobre sua grande inteligência emocional, principalmente em como devemos ser humildes, estaria o divertindo mais que qualquer coisa.

Se torna complexo a cada dia encontrar mais psicopatas fantasiados de heróis e sendo endossados pela mídia.

Estranho como o tempo voa
É como se eu tivesse pisado na França ontem
E hoje já começamos o quarto mês

Não sei direito onde foi que o tempo começou a correr tão rápido
Não sei também como os olhares delas sempre foram tão profundamente em mim
Quase como se eu não tivesse escolha
Eles só me assaltaram sem eu saber

Só roubaram um pedaço de mim
Sem que notasse a sua ausência

E tudo que me restasse no fim
Fosse amar de volta

Hoje é dia 30 de novembro de 2017 e tenho pensado bastante sobre o futuro.
Talvez até a publicação desse texto, eu não esteja vivo, talvez esteja.
Seria estranho um texto ser publicado quando o autor não está mais vivo.

Acordei hoje sem nenhum alarme, depois de sonhar mais uma vez com ela.
Não era um sonho como os outros, em que ou eu nunca a encontrava ou ela era apenas um fantasma,
Nesse sonho de alguma forma, ela sabia que eu queria falar com ela,
De alguma forma, ela vinha até mim e nós conversávamos sobre tudo isso.

Aconteceram algumas coisas abstratas, como quando eu a abracei e fechei os olhos,
Quando os abri, eu havia abraçado uma estátua, e ela estava sentada em um sofá próximo,
Olhando e rindo levemente de como eu havia ficado bobo.

No sonho nós voltávamos a namorar, nós não estávamos felizes,
Mas sim interessados no que o outro havia vivido.
Era estranho e simultaneamente reconfortante e desolador.

Fico pensando sobre isso continuamente,
como pode ser que eu tenha "perseguido" tanto,
Uma mesma pessoa, todo esse tempo?

Como alguém pode ter me marcado tanto que meus sonhos as têm,
Que meu cérebro se sente na obrigação de incluí-la nos sonhos que mais me incomodam.

Me sinto absurdamente assombrado,
E é como se minha assombração andasse sobre a terra,
Sendo que a qualquer momento eu pudesse trombar com ela por aí,
E aí?

Ignoramos, conversamos, choramos? Sorrimos?
Por enquanto, estamos apenas sendo assombrados.


Quem seríamos nós sem um pouco de caos, um pouco de projeções e terrores.
Hoje me sinto seguro pra contar uma história.

Conheci ela no ensino médio, em um simples "coup de foudre" sabia que meu mundo mudara. Talvez o que mais atraísse nela fossem os olhos perdidos, o rosto com um sorriso escondido, os olhos cheios de sonhos... Na verdade, acho que eu amava tudo nela. Era um misto de quem ela era, com o que ela me provocava lá dentro. Eu sei bem quando eu a vi pela primeira vez, o instante me provocou tamanho impacto que comecei a ter sentimentos que não entendia.

Eu queria tudo aquilo pra mim. Eu era mais jovem que hoje. Minha mente era outra. Na minha mente, as pessoas pertenciam umas às outras, como colecionáveis.

Veja bem, pra mim, a vida social nunca foi natural. Nunca entendi como as outras crianças se reuniam no recreio, brincavam com seus jogos, iam na casa uma das outras ou ligavam umas pras outras. Nunca foi natural pra mim. Cada ação, cada sorriso e pequeno gesto eram conscientes. Os gestos copiei de vários amigos ao longo do tempo, as palavras, sorrisos, copiei de quem gostava do sorriso. É como se eu precisasse estudar muito sobre a humanidade para entender o que é ser humano. Sempre me vi como um outsider e talvez por isso estivesse sempre sozinho. Mudei todos esses anos diversas vezes, cortei o cabelo de várias formas de diferentes, fiz e deixei a barba, o que fosse mais confortável aos meus interlocutores.

Mas aquela menina, aquele instante, quem era ela? Que provocava algo tão intenso dentro de mim ? Talvez tenha sido a primeira vez que eu soube o que fazer, a primeira vez que eu era igual a todo mundo, era humano. Era natural. Éramos novos e a família dela era bem restrita, mas conseguimos conversar e conversamos durante tanto tempo pelo MSN. A conversa fluía. Era a primeira vez que a conversa fluía com quem quer que seja. Acho que nos falamos por quase 2 anos direto, depois da escola até de noite. Depois nos afastamos porque ela se mudou de escola.

Era 2008, eu ainda escrevia textos em um diário. Mas me lembro que o texto "Amor" foi uma parte sobre o que comecei a sentir naqueles anos.

Os anos passaram, e ela ia fazer 18 anos. Era meio que uma idade importante, porque o pai dela só deixaria ela namorar com essa idade. Só que realmente, o tempo passou. E nesses anos, mudei muito. Acreditei que talvez déssemos certos. Na época, infelizmente, eu estava com outra pessoa. E então Menti. Criei machucados, pela primeira vez, criei Dor.

Queria aquela relação de volta, queria viver aquele sentimento. Então corri atrás, busquei todas as chances, mesmo que estivesse Sem Segundas Chances. E nos curamos, através de um mar de Cicatrizes. E ah! O amor! Como é bom sentí-lo e vivê-lo.

E meus segredos me massacraram. Nunca menti tanto ou escondi quem era. Foram 1 ano e meio de Anoitecer da minha alma. E então, chegamos à história da libertação e destruição de tudo: Erik, the Red. Ao final dela, terminaríamos. Era o único jeito que eu poderia sobreviver. Eu passei por todos os sentimentos, Arrependimento, Monstros, Dor e Boa noite.

Eu cheguei ao Fim. Apaguei as luzes, fechei os olhos e tudo que eu via eram seus olhos e tudo que eu ouvia era a tempestade rugindo lá fora.

Perdão pela expressão, mas puta que pariu, como doeu. Desde 2013, Doeu em 2014, Doeu em 2015 e só em 2016 que comecei a ver alguma luz. Foi profundo, dolorido e tortuoso.

Nossa.

Quando eu olho aqui pra dentro do peito e lembro de como era antes.

Conheci muitas pessoas entre lá e cá. Vi outros planetas, outras estrelas. Faz já um tempo que estou assim, mas hoje consigo ver uma foto sua e não tremo, não fico profundamente triste. Ainda penso, vez ou outra, em tudo que aconteceu. Em como essa experiência afetou profundamente quem sou e quem quero ser. E em como consegui sair desse estado profundo até aqui, em todos que me ajudaram pelo caminho, até completos desconhecidos.

Não sei.

Acho que não há o que saber também. É natural. Pela primeira vez, talvez, depois de todos esses anos. Eu percebo que sou parte da humanidade afinal. Nessas milhares de coisas que não notamos, que agimos sem pensar.

Por mim, acredito que o amor é natural. Não é toda essa idealização, nem tudo que sonhamos. Sinto que amei de verdade, depois de todo esse tempo, porque sei que se em algum dia encontrasse sem querer com a Cristiane, perguntaria como ela estava com um carinho imenso. Gostaria de ir até um café, falar sobre o que vivemos depois de tudo que aconteceu, mas principalmente sobre o futuro. Sobre onde queremos chegar.

Foi imenso. Foi incrível.

Obrigado .


Si j'écris c'est puisque je ne perds pas mon âme
Je verse des mots sur le papier
Avec l'espoir de m'exprimer

Dans l'art rupestre, depuis le début du temps
On essaie de dire ce qu'on ressens
Et dans les abris, les grottes cachées
Les marques des premiers humains
Essaient déjà d'exprimer ton regard

--

Se escrevo é pra não perder minha alma
Entorno as palavras sobre o papel
Com esperança de ser compreendido

Desde o início dos tempos
Já tentávamos dizer o que sentimos
E nos abrigos e grutas escondidas
As marcas dos primeiros humanos
Tentavam registrar quão incrível é teu olhar


Combien des océans, je dois traverser, pour te faire un câlin, en plus des mers que j'ai déjà voyagé?

Perdu entre des continents, je ressens froidement des moments pleins de nostalgie
Les sourires hauts et beaux, les couloirs et les pierres que l'on a croisés
Les montagnes que l'on a montées et notre façon de plonger l'un dans l'autre

Peut-être cela est notre histoire, les amants qui dansent pendant les éons
Dans ce moment fluide de pure sincérité

Et si je me permets pour un instant
Que les mots, qu'arrivent sur ma tête, sortent vers le papier
Dans ce cas vers l'écran noir avec un derrière-plan des étoiles
Si j'enlève des barrières qui m’empêchent de penser
Ouvrir les portes de ma cage thoracique puisqu'ils sortent des mots

Sera-t-il notre temps déjà fini?
Je ne veux pas, je ne veux pas que toi-et-moi, que cela cesse d’exister

Maintenant, je réfléchis si je dois publier ce texte ou le publier au futur
Quand personne ne sait rien et que rien influence qui nous sommes enfin
Fin, il n'existe pas des rêves sans des cauchemars
Ni nuits sans journées après

Mais sur l'instant je voudrais bien un petit câlin
Quelque chose pour réduire le froid de ce pays
Je voudrais ressentir amour, le ressentir, brûler dans le cœur
J'ai peur, j'ai peur que j'aie lui perdu
Peur que pour encore une fois
Tout qui me reste, c'est l’obscur, où tout
Tout que l'on fait
N'aura pas de signification

et des excuses que l'on parle
ne fait que nous mettre esclaves
 
Quantos mares deveria atravessar pra te abraçar além dos mares que já viajei?
Perdido entre os continentes atravesso friamente os momentos plenos de saudade
Os sorrisos tão altos e lindos, as passagens e as pedras que cruzamos
As montanhas que escalamos e os mergulhos que fizemos um no outro

Seria essa talvez nossa história, amantes dançando pelas eras
Nesse movimento fluido de pura sinceridade

E se eu permitisse durante um instante
Que as palavras que vem à minha mente fluíssem pro papel
Nesse caso pra tela negra com fundo em estrelas
Se eu tirasse as barreiras que me impedem de pensar
Abrisse as portas do meu peito que tornasse a falar

Será que vamos durar amor?
Fico aqui querendo que sim, que eu-e-você continuemos sempre a existir

Fico pensando agora se publico ou se coloco pro futuro
Quando ninguém sabe mais e nada influencia quem somos afinal
Afinal, não existem sonhos sem pesadelos
Nem noites sem dias após

Nesse momento queria muito um abraço
Queria sentir amor, sentir ele queimar no peito
Tenho medo que eu tenha perdido esse sentimento
Tenho medo que mais uma vez, eu me encontre no escuro, onde tudo
Tudo que fazemos
Não tem significado

e as desculpas que damos
apenas nos tornem mais e mais escravos

O barco já estava velho e senescente, devido aos desgastes causados pelo mar.
Ninguém vê o que está adiante da praia, nem tampouco as conturbações que estão por vir.
É por isso que todos embarcam, e seguem pelas correntes a frente do horizonte de águas.
E quando chega, então, o dilúvio sobre as ondas, vem o previsível desespero a mente, se traduzindo na dúvida que atormenta todos os navegantes:
"Será que entrei no barco certo?"
No começo, é sempre difícil.
A infinitude do mar traz a saudade dos tempos em que não era preciso remar sozinho;
Mas de pouco em pouco, o caminho passa a ser a janela de casa, e não mais um deserto azul solitário.
A leva das correntes; as chuvas; os ventos; os arranhões no casco dos dias de desespero;
Todos deixam suas marcas, para não fazer esquecido o conturbado percurso da jornada quando, enfim, se chegar ás docas do final.
E lá no destino da embarcação, estarão vários outros veleiros e, também, novos oceanos, esperando para serem navegados, em uma nova imensidão do azul de águas instáveis.