Ver

by sexta-feira, maio 21, 2010 1 comentário(s)

Estou olhando.

Continuo olhando.

Vejo milhares de seres fingindo reações, talvez as últimas vezes que eles serão assim. Realmente, não queria que fosse assim... Mas cada um deles, deve preencher um espaço. O capitalismo e seus limites os fizeram assim.


Vejo seres cada vez mais fingidores. Cada vez mais podres. Dentro de si próprios, sua própria existência se torna mais vazia e fúnebre. Concordo com alguns outros observadores, mas também tenho muito a discordar.

Vejo que são limitados. Todos eles, limitados e limitadores. Acaba que o mundo é dividido entre duas partes, em todas as comparações: Os limitadores e os limitados, os monótonos e os animadores, os que criam e os que repetem, os extrovertidos e os introvertidos, os bons e os maus.

Vejo que ninguém sabe o que é o bem e o mal. Cada vez mais se enganam e sufocam em suas próprias teorias... Meu caro amigo, não preocupe-se com o bem e o mal, preocupe-se consigo mesmo, em seus próprios paradoxos, crie o ilimitado.

Vejo que lágrimas correm no seu rosto, há muito tempo isso não acontecia. Não lágrimas comuns, lágrimas sem sabor. Essas lágrimas tem sabor... Sabor de dor.

Vejo também que não sou o único. Muitos deixaram cair singelas lágrimas por ai, muitas falsas, muitas verdadeiras... Mas talvez nenhuma de uma dor tão profunda quanto essa. Em algumas culturas, a dor é algo bom, significa que você está vivo... Bom, então estou mais vivo do que nunca.

Vejo o que meus olhos não vêem, vejo o que minha boca não se atreve a falar, vejo o que meus ouvidos se recusam a ouvir. Vejo um grande teatro, um teatro da vida.

Vejo atores ensaiando peças e atrizes se maquiando. Encenem.

Encenem, pois não sabem viver. 
Chorem, pois não sabem viver. 
Morram, pois não sabem viver.

A peça acaba. Eu me levanto, e vou embora.

Cortinas fechadas.

Um comentário:

  1. Que post forte!
    Nem sempre as lágrimas são sinceras, nem sempre a dor é verdadeira. Mas quando o sentimento é real, a gente se vê frente um abismo de escolhas. Ou você pula pra se esconder do sofrimento ou você bola uma forma de chegar são e salvo em terra firme. Assim é a vida, ou o teatro... Como preferir!

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