Diário #1

by terça-feira, agosto 16, 2011 0 comentário(s)

Sexta eu cheguei mais cedo, peguei a bicicleta e saí andando por Bh até anoitecer. Cheguei em casa à noite, então jantei, pois estava com fome, e bebi água porque queria ver se a água tinha mudado de gosto.

Então eu tomei banho e adormeci. Sonhei com o futuro, e esqueci quando acordei.

Acordei sábado, fui à igreja, vi alguns velhos amigos, e minha família. Não queria almoçar algo simples, por isso fui até um restaurante Chinês comer Sushi.
Descobri que mulheres não podem fazer sushi porque tem uma glândula que faz o peixe apodrecer mais rápido.

Comi Sushi e fui até o parque municipal. Fiquei lá, deitado na grama, pensando na vida, no Universo e tudo mais, conversando com algumas pessoas e uns amigos.

Acabei ficando por lá até ser expulso, então depois fiquei dando voltas ali pelo centro até ir para casa, por estar tarde e estar com receio de ficar no ponto de bus sozinho eu resolvi gastar dinheiro inutilmente com táxi.
Fui recebido por um Taxista estranho que ficava indagando sobre como o tempo passa rápido e como todas as coisas dependem de Deus.
Preferi à básica resposta "sim, temos que viver com ele" do que me aprofundar em questões altamente filosóficas.

Cheguei em casa e recebi a ligação de milhares de parentes me perguntando aonde eu fiquei o dia todo, e eu expliquei tudo, bem explicado e disse que domingo ficaria com todos eles.
Tomei um banho, comi algo, tomei um delicioso chá quente, deitei na minha cama e adormeci.
Sonhei com o passado, e tudo que nunca mais voltará, por mais que queiramos reviver algumas alegrias. Acordei e pensei que o futuro ainda reserva muitas alegrias.

Troquei de roupa, peguei minha bicicleta e dei uma volta através do dia ao nascer do sol.
Estava frio, o sol tentava aquecer as folhas através das árvores e queimar o chão abaixo dos meus pés, e sua tentativa deliciava mais ainda aquela manhã.
O vento soprava forte, e as ruas estavam vazias.

Pedalei até suar completamente e me esgotar. Parei em uma encosta de uma das montanhas e observei a cidade que crescia diante de mim.
Tão assustadora, real e cruel.
Porém tão ilusória.

Voltei pra casa e fui para casa da minha avó, almocei, fiquei lá conversando com meu tio.
Depois fui para casa de um colega, conversei sobre um trabalho.
Voltei para casa e li alguns livros que deixei pela metade.
Descansei, dormi.

E não sonhei com nada.
Talvez estivesse sonhando com o presente.
Segunda acordei tarde.
Me olhei no espelho.

Vi que havia crescido uma camada grossa de barba no meu rosto que deixava mais velho. Não quero ser mais velho, quero ter a minha idade, quero viver cada segundo, quero viver esse segundo, esse momento, pensando nas consequências e no futuro, mas ainda assim, esse momento.
Então fiz a barba.

Renovei meu corpo alguns anos e vi o quanto ilusória é a qualidade e quantidade de tempo.
Existem jovens que se sentem como velhos e velhos que são mais novos e mais jovens do que milhares de pessoas.
Fui até um shopping em uma tentativa frustada de me encontrar com alguns amigos, porém nenhum deles foi.

Pensei que realmente, naquele dia o último lugar que gostaria de estar é um shopping, e eu odeio shoppings. Então fui até o metrô andando, e o peguei, andando aleatoriamente em Belo Horizonte entre linhas de ônibus, lendo livros e pensando nas coisas, nos pontos de vistas e idéias.
Resolvi depois de algumas horas voltar para casa, acabei chegando em casa, trocando de roupa e pegando a bicicleta.

Tracei uma rota em minha cabeça, a rota poderia ser cumprida até o anoitecer, liguei a música no último volume, tocando Jimi Hendrix, Snow Patrol, Klaxons e outras músicas.
Entre acordes e ritmos pedalei até me esgotar perante alguns dos bairros de Belo Horizonte. Cheguei a ver pequenos eventos que só acontecem uma vez na vida, até mesmo pequenos detalhes que nem sequer deveriam ter existido. Sentidos e instantes únicos porém irreproduzíveis.
Como sorrisos sinceros entre lágrimas de felicidade, como olhos bobos procurando ingenuamente a verdade entre tantas mentiras, como folhas brincando ao vento, formando formas não-lineares.
E entre todos esses momentos, passado e futuro se misturaram, e até minhas memórias ao presente se misturaram.

Vi coisas e ouvi coisas que já passaram ou talvez ainda aconteçam, não sei.
Voltei para casa e fiquei olhando pelo parapeito da garagem, que se abre para metade de Belo Horizonte e boa parte de Contagem.
Vi que por tudo ser uma grande ilusão, a verdade é que talvez nós nos induzamos à certas coisas mais do que somos induzidos realmente à elas.
Se é tudo uma ilusão, a questão é: Ou a ilusão nos controla, ou a controlamos.
Ouvindo Cazuza e Barão Vermelho voltei para casa e tomei banho, pensei no dia de amanhã.
E se nada existe nem antes e depois, o que havia me levado até ali, caindo água sobre minha cabeça?
Como havia chegado ali?

Li alguns livros e entre uma das frases que mais me identifiquei é :
Não golpeie na fraqueza.
Talvez essa fosse a escolhe certa a tomar, e tomei.
Então adormeci.

Croatt

Conceito

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