Madrugada

by segunda-feira, agosto 15, 2011 0 comentário(s)

Os dias passam por entre as frestas na caverna da irrealidade.
Na verdade, os dias não passam, nós passamos.

Sombras remexendo as areias do tempo,
Sombras remexendo-se no tempo através de areias.

Meu coração bate forte, sei que nada mais é importante,
Nada mais interfere no condicionamento que o mundo impôs a si,
Porém, gostaria de interferir, gostaria de mudar, acrescentar, crescer e aprender cada vez mais,
Mas principalmente, impacto.

Não o impacto que as pessoas fazem ao se jogar dos prédios,
Mas justamente o contrário,
O impacto que o peso do mundo faz nas pessoas.

Impacto ilusório mas nunca tão real,
Não ligar para nada seria idiotice ou seria a coisa mais sábia possível?

Existem tantas possibilidades, tantos céus e estrelas e a cada dia ele muda sob nossos pés,
Assim como sobre o teto dos nossos quartos.

A verdadeira questão é: Quando.

O impacto sei que virá, porém, o que irei me tornar? Para onde irei, onde estarei,
Quando, como, porquê? A mentira sob isso tudo está simplesmente no modo em que fomos criados,
Nas palavras ditas e nas caladas, nos momentos solenes e significativos, e nos atos ríspidos e cruéis que nos tornaram e o tornou o que é.

Quando tornarei-me Eu? Talvez nunca. Talvez esse seja o objetivo principal.

Preciso pensar.

Preciso subir às mais altas montanhas, só.
Preciso subir aos mais profundos vales, só.
Preciso ver e ouvir e sentir tudo, de tudo, antes, depois, durante tudo, só.

Preciso ou quero?

Sou o que sou.

Tudo, ao mesmo tempo nada,
Quanto mais profundo me torno,
Quanto mais complexo,
Mais significativo,
Mais vejo o quanto estarei sozinho quando chegar lá.

Ainda mais que a solidão não seja uma opção.

Carinhos, sentimentos não me impressionam mais,
Não sinto, não vejo, não ouço, não falo, me calo.

E justamente o meu silêncio que reside mais significado do que pode se expressar.

Minhas idéias são infinitas, meu ar é escasso, quanto tempo ainda temos?
Podemos viajar, podemos nos perder dentro de outros mundos,
Podemos nos perder no seu mundo,
Mas não tente entrar no meu,

Quem entra nunca sai.

Por isso entrar é tão difícil.

A porta real está tão acessível,
Porém é vista para aqueles cuja alma não esteja cega de dor,
Nem obscurecida por tanta razão.

Poucos entram, e ninguém sobreviveu.
Como pode adentrar um mundo que não é teu?

"Penso: quando você não tem amor, você ainda tem as estradas."
"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra — talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou."

No fim, não existe fim.
Que o impacto seja tão profundo e afete as estruturas humanas, suas ideologias, que a motive, que a torne o que não é: Humana.

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