E aos sonhadores, deve ser permitido sonhar

by sábado, setembro 10, 2011 0 comentário(s)
"... e aos sonhadores, deve ser permitido sonhar." As coisas acontecem, os momentos passam, o tempo passa. A areia escoa através de meus dedos agora. Antes, controlada por uma ampulheta, um limite, algo que a prendia sobre meu controle, ela escoava apenas quando a queria que escoasse. Agora, vejo os dias passarem, vejo os momentos avançarem perdidamente através da noite, perfurando-a, juntamente com o dia.
Existem visões que sumiram, existem pontos de vistas que desaparecem e outros que aparecem. Lembro de várias coisas, vários momentos, vários instantes, presentes todos em um só. Presentes todos nesse instante. Lembro dela, e de seu sorriso, sua música de patinho, e lembro de quando disse-me estar em outro caminho. Lembro dela, e de seu sorriso, sua vontade de saber quem era, e lembro de o quanto a adivinhei tantas vezes. Lembro dela, e de seu sorriso, sua atmosfera sem controle sobre as próprias consequências. Lembro dela, e de seu sorriso, sua forma de espelhar quem está, espelhar quem é, tornando-se quem é. Lembro dela, e de seu sorriso, suas idéias que concordavam com as minhas, e talvez, mais a absorviam do que as expressavam. Lembro dela, e de seu sorriso, de suas vontades efêmeras, e de sua superficialidade. Lembro dela, e de seu sorriso, de seu cabelo, de seu modo de ser feliz, engraçada. Lembro dela, e de seu sorriso, de sua crueldade. Lembro dela, e de seu sorriso, de sua maldade. Lendo elas... Vejo todos os instantes, vejo todas as visões, vejo tudo, consigo ver até a mim mesmo, de vários ângulos diferentes nesse exato momento. Vejo lugares, vejo viagens. Porém, não consigo me ver. Sou profundo, escuro, e misterioso, até mesmo para mim. Pronuncio palavras que não sei de onde vêm e falo coisas que não existem. Me sinto assim, e talvez seja a hora de me aceitar assim. Às vezes os olhos observam algo que não eram para ser vistos, e talvez, olhar para essas coisas por tanto tempo, Não sejam coisas inteligíveis para meros mortais. Através dos dias, do tempo, das vontades, dos desejos, tento manter a mesma linha, o mesmo ritmo, Porém, o ritmo tende a ser mutável, e talvez isso faça parte de mim. As vontades escoam através dos meus dedos agora. Talvez, a humanidade, as pessoas não tenham outra solução, a morte seria a única decisão? A humanidade não me surpreende mais. A humanidade apenas tende a se tornar deveras simples. É tão analisável, transformada em palavras facilmente, porque ela deve existir? Assim como as palavras se desfazem quando são emitidas no ar, A humanidade evapora em suas ações. Nada é permanente, tudo tão inútil e passageiro. Viver não é pecado, existir é mero ato.

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