Sem Segundas Chances

by sábado, dezembro 31, 2011 0 comentário(s)

Acordei tarde aquele dia. Soube que era o fim.
O fim do meu sono mais especificamente.

Enfim, nada seria eterno, nada seria mais único.
Tudo se estenderia a mais uma Porcaria Generalizada de Todas As Coisas.

Porém, um pano, não menos que uma seda vermelha, pairava pelo ar.
Presa não se sabe exatamente aonde, mas se movia através do ar a minha frente.

Percebi que não haveriam segundas chances, era segurá-la ou perdê-la.
Corri.

Corri como minha vida dependesse disso,
Corri como se o mundo se fechasse atrás de meus pés recém fincados no chão,
Tomando impulso à cada passo, correndo através da vida, dos dias, das memórias.

Correndo através do passado, presente, atrás do futuro.
Corri, mais do que poderia correr para salvar minha própria vida,
Corri, mais do que poderia correr para salvar toda a humanidade.

Estiquei meu braço, mas parecia tão longínquo,
Parecia inalcançável. Parecia intangível.

A luz do sol ardeu meus olhos e tudo apenas se tornou um borrão vívido de luz ao meu redor,
Continuei a correr, pela superfície do sol,
Atravessei vales de pura energia convertida em massa,
Cruzei oceanos de milhares de energias destruindo e construindo tudo ao redor.

Desesperadamente tentando alcançar a tira de seda em vermelho,
Esvoaçando através das ondas de algo muito pior do que magma,
Como milhares de bombas atômicas explodindo à minha volta.

Parti ao meio a vida.
Destruí tudo que havia em mim de fixo,
E explorei confins desconhecidos,
Mas nunca perdi meu foco, meu objetivo.

Aquela tira esvoaçante a minha frente.

Agora, parece mais perto do que nunca,
Que todas as existências se encerrem de uma só vez.

Que o palco da vida se encerre do mesmo modo que ele se abriu,
Que as verdades sejam ditas antes do final do quarto ato.

Abrem-se as cortinas,
Revela-se o abismo da realidade,
Os medos mais profundos, as realidades mais cruéis,
As verdades mais destrutivas, e as mentiras mais podremente agradáveis.

Abismo profundo, não receba-me, erguirei-me ante à ti, e voarei o quanto puder.
Nunca nada será verdade, e nada menos do que tudo é permitido. Nada de doutrinas,
Sim verdades sobre a vida. Pois assim deve ser a vida. Em verdades incontáveis e verdadeiramente absolutas.

E mesmo voando, buscarei a fita esvoaçante, para sempre, até que minha força se esgote.
Além do infinito.

Viver e Aprender.

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