Cenário de Dementes

by quarta-feira, abril 25, 2012 0 comentário(s)
A tentativa de traduzir palavras em sentimentos por vezes é frustrada. Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.

Aqueles que mais se aproximam disso, se tornam poetas,
Ou pelo menos, ficam mais felizes por conseguir tornar palavras,
Aquilo que as névoas da dor ocultam.

É estranho sentir o vidro quebrado dentro do peito,
Mesmo que a doce ilusão de cada dia,
E as milhares de máscaras impeçam as lágrimas,
Ninguém nunca sabe como é viver por atrás desses olhos.

A vida se move, os dias passam, e o tempo faz seus escravos,
As nuances da vida são ditas, a rotina se apodera das verdades e as esconde,
Cada dia se torna tão útil quanto um pouco de terra e um pedaço de papel.

Ouço ainda sua voz, quando a noite está mais escura e densa,
Sinto ainda o seu beijo, quando a brisa está mais forte,
Fecho os olhos e penso nela, nos dias que estou, nos dias que virão,
Porém, penso ainda mais, nos dias que se foram.

O passado oculta a realidade daqueles que olham através dele,
Hoje, me perco sem visão em meio aos versos.
Sinto a ilusão se tornar espessa até que irrompa em chamas negras,
Queimando tudo que há de puro, de bom.

Até mesmo em fontes infinitas, um dia a água acabará.
Nos doces mistérios da vida, nos mais confortáveis mistérios do amor,
No meio da felicidade, em meio a dor, tudo o que sinto é o ardor.

O ardor dos dias perdidos, dias que nunca mais voltarão,
O fervor de seu toque derretendo minha pele,
E a vida se fragmentando à minha volta como quebra-cabeças com peças de areia.

Ilusão, doce ilusão.

Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente.

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