Rotina

by quinta-feira, abril 19, 2012 0 comentário(s)

Acordei em um misto de frio com aquela sensação gostosa de quando você acorda entre os corbertores aquecidos com seu próprio calor. Me levantei e desliguei o alarme do celular. Ele tocava uma música do Oasis, chamada Champagne Supernova. Me dirigi à janela, e lá fora, enquanto a minha cidade acordava, vi a realidade tremulando com o despertar de várias vidas para mais uma vez mergulhar na rotina de cada dia. E ainda era noite. Andei até o banheiro, retirei minhas roupas rapidamente e me enfiei embaixo do chuveiro. Rapidamente pois meu corpo, que antes estava quente, agora começava a esfriar. Me espremi em um canto do banheiro, para evitar o primeiro jorro de água que cai gelado.

Quando ele se foi, coloquei primeiro meu pé, para ver a temperatura, se estava cômoda. Apertei um pouco mais a válvula, para que a água ficasse mais quente. Então eu me sentei e abracei minhas pernas enquanto a água caía em minha cabeça. O barulho da água batendo nas superfícies lisas de vidro que cercavam o "box" do chuveiro, batendo no chão e ensurdecendo meu ser, me acordando aos poucos. Me apertei mais em minha pequena concentração de massa, pelado, com meus braços envolvendo minhas pernas. Foi então que eu comecei a dormir, e me deitei no chão do banheiro. A água fluía através do meu corpo, enquanto eu fechei os olhos. Não sei quanto tempo se passou. Mas quando acordei, havia água no meu nariz, e exatamente, eu quase me afoguei.

Comecei a dar aquelas tosses-espirro de tem-alguma-coisa-nas-minhas-narinas. Abri e foquei os olhos e olhei pela janela. Não era noite, já era dia, e eu estava atrasado. Levantei, corri para o quarto, troquei de roupa, joguei o celular na mochila, peguei minha chave, engoli um pão de queijo comprido de ontem à noite - o que me deu um pouco de azia mais tarde.

Corri até o ponto de ônibus, e quando cheguei lá, ele estava passando. Entrei rapidamente, dei um bom dia para o motorista. Essa manhã faltava algo, algum sabor, alguma máscara. Essa manhã faltava algo. Foi o que pensei enquanto pagava o trocador. Me sentei e comecei a ler A Arte da Guerra, do Sun-Tzu. O ônibus passou por uma ponte e as velhas lá da frente chingaram o motorista. Porque foram jogadas para cima. "Princípios físicos nunca mentem" pensei comigo.

Cheguei ao centro de desci no meu ponto da Rua Amazonas, ele é o mais próximo e eu não gasto tanto energia para chegar até o Pré-Vestibular. Existem duas opções: Eu posso contornar o quarteirão pela esquerda ou pela direita. Dependendo de onde o ônibus para, fica mais perto de algum dos lados. Hoje, o lado direito estava mais próximo, e era coincidentemente o lado em que o mercado central se encontra. Enquanto andava, um homem disse que havia perdido suas galinhas, levando assim um prejuízo de 6 mil reais. Me imaginei em seu lugar. Talvez eu também pensasse que galinhas são valiosas se estivesse aonde ele estava. Mas não estava, por isso continuei meu caminho até o curso Pré-Federal. Quando cheguei a porta, descobri algo diferente.

Não estava atrasado, estava adiantado, e as portas não estavam abertas. Alguns amigos me cumprimentaram, mas eu ainda estava lendo Sun-Tzu. E naquele momento, Sun-Tzu pareceu mais interessante do que a amizade deles. Mas então eles reclamaram, e como um bom amigo, eu parei de ler. Alguns minutos depois, eles abriram as portas do Pré, e eu acabei por entrar e me assentar na sala. Então foram dadas as matérias:
- Matemática 2 - Introdução à Trigonometria
- História - Reforma Anglicana, Contrarreforma, História do Brasil
- Geografia - Clima

Me despedi de meus amigos e me direcionei para casa. Um fato importante de salientar é que nas aulas de História eu dormi. Cheguei em casa e estudei Física, além de resolver alguns problemas, como o da webcam e do microfone com a LG. Eles me mandaram olhar uma assistência técnica. Mas ela é meio longe, e eu não queria ficar sem computador no final de semana. Deu vontade de abrir o computador, mas eu me segurei, e disse a mim mesmo, que se eu abrisse e queimasse tudo, seria pior.

A tarde fluiu através da ampulheta. Quando me dei conta, era noite, e tinha passado a tarde inteira mergulhado em estudos.

Agora é noite, e olhei pela janela. E pensei novamente. Pensei novamente o que durante o dia inteiro pensei: no que faria, no que seria, no que estaria fazendo...

Pensei em você.

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