Erik, The Red - 13

by segunda-feira, novembro 12, 2012 0 comentário(s)
Para você que não está entendendo nada, comece pelo primeiro:
http://croatt.blogue.me/2011/11/erik-red.html



Corri através da floresta, prosseguindo pelo caminho que o destino me levou. Parecia que tudo até ali, em cada mínimo detalhe, tinha se encaixado perfeitamente. Em um súbito momento de lucidez parei de correr. Olhei para trás, lembrei do que Gabriel disse sobre não sair daquele caminho. Virei para a floresta e comecei a avançar. A floresta parecia densa, mas quando me aproximei dela vi uma trilha quase apagada pelo mato salpicado de neve. Atravessei as árvores e segui por ali.

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Passado - Prelúdio

"Algumas palavras são esquecidas no ar. Outras palavras, deixam a desejar", coloquei o livro sobre a estante à minha esquerda. Aquela parecia uma tarde fenomenal, minha pequena casa feita de madeira de boldo estava silenciosa. Me levantei e observei o espaço que preenchia as coisas a minha volta. Era um cômodo espaçoso que tinha acesso para a cozinha e para o quintal da casa. A casa em si era um pouco mais elevada do chão. Na verdade, todas as casas da vila eram assim - por ideia de Sólon, que nos ajudara a criar um lar em meio aquelas montanhas cheias de pinheiros. Ao lado da minha casa, ficava a casa de Fábio. Ouvi sua voz me chamando do quintal.

- Erik, seu velho vermelho, venha aqui fora!

Eu estava com uma roupa branca feita de lã, quente o bastante para não sentir frio naquele fim de tarde. Fábio usava um avental feito de couro de porco, provavelmente estivera cozinhando algo para sua família.

- Diga meu caro amigo, o que queres comigo?
- Sólon nos determinou uma missão.
- Nesse fim de tarde?
- Sim, ele disse que lagartos estão vindo para cá, provavelmente os encontraremos no meio do caminho.
- Vou me arrumar, até logo.
- Até.

Me virei e senti uma boca tocar minha boca com deliciosa pressão. Os femininos e cheirosos braços envolveram meu pescoço e trouxeram minha cabeça mais próxima ao seu corpo. Meus olhos, que haviam se fechado ao impacto, se abriram lentamente e revelaram um corpo esguio e sedutor, além de olhos castanhos profundos que de modo interrogativo me fitaram, perguntando quais eram os meus pensamentos.

- O que Fábio queria meu amor?
- Cristiane, minha bela dama, Fábio disse que tenho uma missão.

O rosto de Cristiane trocou de um olhar interrogativo para um olhar apreensivo.

- Já é noite amor - Fui até o cômodo aonde dormíamos e pendurada, ficava minha armadura enquanto ela me seguia - Não pode sair amanhã cedo?
- Uma missão é feita para ser cumprida meu amor - Comecei a vestir minha cota de malha e o saiote com pontas de ferro, sem roupas de baixo, que atrapalhavam na luta - Além disso, Sólon é nosso líder e mentor.
- Mas amado, você não precisa lutar, mande outro em seu lugar.
- Eu preciso, faz parte do que corre nas minhas veias.
- Você já fez muito desde que fundamos essa vila, já é um herói - Disse ela.
Respondi em tom grave:
- Não sou um herói, nunca foi um herói e nunca serei um herói. Faço isso por você, faço isso por todos - Reduzi a gravidade de minha voz e Cristiane me encarou furiosa por alguns segundos que pareceram infinitos, mas desistiu de insistir e em seguida rasgou um pedaço da bainha de seu vestido feito de seda que continha seu perfume.
- Tome, guarde dentro de sua cota de malha, para dar boa sorte. Eu o amo Erik, mas você é mais teimoso do que uma mula.
- E você é mais linda do que mil flores na primavera.
- Seu chato, - Seus olhos lindos ficaram levemente molhados - eu me importo com você.

Peguei "Hand R' Chz" e a embainhei na cintura, coloquei o pedaço de seda dentro da cota de malha, e por alguns instantes senti que parecia uma despedida. Comecei a andar até sair da casa, Cristiane vinha em meu encalço, até que eu saí para o quintal e ela ficou me observando da porta que tinha acesso ao quintal.

- Eu faço tudo isso porque a amo - Eu disse, e então ela se virou e fechou a porta.

Após alguns segundos olhando para aquela casa, me virei e vi Fábio e Gabriel me esperando prontos com armadura completa.
- Problemas em casa? - Fábio disse.
- Todo mundo tem - Eu respondi.
- Eu não, minha família é perfeita, mal espero a hora de voltar.
- Tanto faz. Resolvo isso quando voltarmos.
- Se voltarmos.
- Fábio, seu otimismo é tocante.
- Estou brincando. Vamos rápido, minha doce mulher me espera para me dar mais uma cria - Fábio se virou e pôs-se a andar.
- Se vocês não fossem meus amigos, eu os acharia filhos de Loki - Gabriel disse e começou a rir. Olhei para Fábio, ele deu de ombros fazendo que não sabia, deu um riso nervoso para não deixar um clima estranho e se virou para o caminho ao sul da vila.
- Rápido, vamos acabar com isso - Disse Fábio.
Mal sabíamos que andávamos para uma odisseia.

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Excerto Narrado por Fábio

- Vamos Fábio, venha mais rápido seu inútil - Sólon disse vestido com sua Hiperbórea branca.
Fábio vinha logo atrás, pulando de clareira em clareira. Enquanto o doutor Ph'arux pulava silenciosamente junto a eles vestido com uma Hiperbórea branca também.
- Estou tentando seu velho decrépito, mas estamos muito atrasados, Erik não deve ter dormido enquanto nós, paramos em cada pulo nos últimos 4 dias - Fábio respondeu em tom austero.
- Já devíamos ter chegado - Sólon fez um movimento para que parassem na próxima clareira.

A clareira era coberta de neve, e cercada de árvores de mata densa em todas as direções, porém era uma clareira espaçosa. Sólon começou a se movimentar em uma direção do outro lado da clareira.
- Venham, é por aqui.
- Como você sabe?
- Eu sou Sólon, você é Fábio, entendeu?
Segundo Fábio, ele ia bater em Sólon e esmagar aquela cabeça branca, quando Ph'arux interrompeu e fez um leve sinal condicente como se dissesse que Sólon já era velho demais, o que fez Fábio esfriar um pouco a cabeça.

Depois de terem atravessado a clareira, Sólon cada vez mais se aproximava de uma parte muito densa de árvores, que quando chegaram bem perto, claramente se via um caminho.
- Exatamente como imaginei, venham.

Atravessaram as árvores e ingressaram no caminho. Fábio disse que o sol não se punha, mas ele sentiu como se tivessem andado três dias até que chegaram ao que parecia ser, um grande vale com pequenos grupos de árvores esparsas entre grandes distâncias e rios caudalosos de bordas congeladas que cortavam a paisagem. No centro do maior vale, distante meio ou um dia através de pulos, existia um castelo branco, feito de pedras incrivelmente brancas, muito parecidas com neve porém robustas e que pareciam aguentar vários dias e noite de temporais seguidos.

Daquela distância, não era possível ver totalmente o que preenchia uma vala gigantesca ao redor do castelo. Sólon veio até Fábio e comunicou:
- Basta esperar. Sente-se.
Fábio não entendeu, mas como Ph'arux se sentou, ele também sentou na neve. Pensou que estaria morrendo de frio se Hiperbórea não o aquecesse ali. Porém, também sentiu que sentia um pouco de frio. Hiperbórea estava ficando fraca de alguma forma.
- Sim Fábio, aqui é Helgardh - disse Ph'arux como se lesse os pensamentos de Fábio - e a armadura tem mágica, e toda mágica é lentamente anulada em Helgardh.

Fábio olhou novamente para Hiperbórea. Pensou um pouco sobre tudo que tinha acontecido até ali. Quando ouviu Sólon falar:
- Levantem-se.

Quando Fábio levantou-se algo aparentemente inacreditável havia acontecido, ele viu que o castelo mudou de lugar, agora ele parecia muito mais próximo, um pulo e eles estariam perto das grandes portas, que agora, notava-se o quão grande elas eram, e quão magnífico era o castelo.

- Preparados? Pulem, agora! - Disse Sólon.

Fábio pulou em direção ao castelo e sentiu um gigantesco frio na barriga. O castelo pareceu se mover alguns centímetros, depois metros, e depois tudo que se via era nada, ou melhor, nada se via, ou melhor ainda, nada, especificamente nada. Não era um vazio comum, era um vazio puro, escuro, como se não existisse nada além de coisa alguma. Não conseguia enxergar nada, nem mesmo se estava distante do castelo, ou se estava perto. Após alguns segundos ele apenas viu um grande pedaço de madeira na sua frente, em que ele bateu de cabeça e caiu aproximadamente três metros, batendo de costas no chão duro de tijolos brancos que compunham o castelo. Hiperbórea absorvera um pouco do impacto, mas ainda assim fora doloroso para Fábio. Ele se levantou, sentiu os músculos regenerarem lentamente e olhou para Sólon e Ph'arux. Eles estão aturdidos com a sensação de vazio assim como ele. Fábio olhou para a gigantesca porta de dez metros de altura aparentemente sólida e densa, calculando cerca de 100 toneladas em cada porta. Se perguntou como fariam para abri-la.

- Não importa quão grande seja a porta, basta que a força seja feita no lugar correto - Sólon disse e em seguida se aproximou da porta, esquadriando-a visualmente - Basta procurar pelo lugar correto... e aqui está - Encontrou um pequeno encaixe, visualmente oculto pelas várias marcas de espadas que transformavam a porta em um livro cheio de histórias. Sulcos profundos e rasos, lascas retiradas e pedaços destroçados que revelavam mais madeira por trás do aparente rasgo na porta.

Sólon apoiou sua mão sobre o pequeno encaixe e empurrou com toda força apoiada por Hiperbórea. De alguma forma, a armadura Hiperbórea branca não sofria tanto os efeitos de estarem em Helgardh. Enquanto a porta se movia lentamente, Fábio olhou para trás e vislumbrou o vazio que havia atravessado. Não um vazio comum, mas como se o castelo estivesse planando na superfície espaço-temporal da vida e do além vida. Como se tudo ao redor - que estava em constante movimento - fossem apenas pequenos borrões ou pontos absurdamente distantes de tudo o que existia, de tudo o que era sólido e real.

- Vamos, não fique olhando ou seu cérebro primata vai explodir - Sólon disse.

Fábio se virou para a porta do castelo, Sólon entrou e Ph'arux foi logo atrás. Fábio fez um gesto impróprio na direção de Sólon, balbuciou uma maldição e começou andar atrás de Sólon, pois as portas do castelo começaram a se fechar.

Dentro do castelo, aparentemente o espaço era infinito. Como o lado de fora, as extremidades do salão principal, tanto superiores quanto laterais eram indefinidamente profundas. As colunas feitas do mesmo material dos tijolos brancos se erguiam imponentes até não serem mais visíveis, se misturando a escuridão profunda do teto, e as laterais da sala eram tão escuras que pareciam abismos sem fim. Fábio se perdeu um pouco olhando aquela sala grotesca em que o único lugar confiável era o chão, feito de tijolos brancos que de alguma forma transmitiam uma luz fraca que não irradiava muito brilho. Quando notou, Ph'arux e Sólon já haviam desaparecido, ele lembrou a direção em que eles haviam seguido e em passadas firmes seguiu por ali.

Passados alguns minutos, não parecia haver progresso, ele parou e olhou para trás. Nada mudara desde que entraram no salão. As mesmas colunas, o mesmo vazio, a única diferença é que agora a porta desaparecera. Olhou para a direção que seguia, nada se via, senão vazio. Apenas a alguns metros ao seu redor, aproximadamente um raio de cinco metros, a realidade era visível.

Deu mais um passo. Não havia tijolos. Fábio entrou no vazio. E junto ao vazio, veio escuridão pura.

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Continuando

Havia adentrado o castelo e estava andando pelas salas de tijolos brancos a pouco mais de dois dias. Esquadrinhando o castelo em cada ponto, o que parecia levar uma eternidade. Porém havia me limitado apenas ao primeiro andar, que o acesso era disponível pela porta gigantesca. Observei que existiam armadilhas que levavam ao vazio. Em alguns lugares, os tijolos faltavam, sobrando apenas escuridão, e em outros, os tijolos era mal encaixados, que no mínimo toque abririam um vão no meio do piso.

Continuei andando pelas salas, até que entrei em uma sala curiosa. Não havia entrado ali ainda, ou pelo menos, a coisa curiosa da sala não estava ali antes. Apenas enxerguei sua totalidade quando cheguei bem perto. Era Fábio.

- Acorde sua mosca de estrume! - Dei um tapa bem firme no seu rosto, que em seguida provocou uma vermelhidão medonha.
- AAhahnãã, mmmmm mmmm... - Fábio abriu os olhos, olhou para mim e me deu um soco bem forte no meio do nariz.
- Ahhh, sua...
Antes que eu completasse Fábio fez um gesto para que eu me calasse e disse:
- Você me abandona com um velho louco e um doutor sinistro? Muito amigável de sua parte - Ele esticou a mão para trás da cabeça e passou pelo couro cabeludo - Au!
- Você me abandonou por 13 meses. E está machucado, provavelmente bateu a cabeça.
- O que? Vai querer uma discussão de relação agora? Não estou machucado, só foi um arranhão.
- Levante-se homem. - Estávamos os dois no chão. Eu havia caído pelo golpe dele. Estiquei minha mão para ele, Fábio a pegou e puxamos, erguendo-nos ao mesmo tempo.
- Ande, temos que salvar Cristiane. - Fábio disse e se virou.
- O que aconteceu com vocês?

Rapidamente, Fábio me contou tudo o que aconteceu, e perguntou:
- E você? Não havia se adiantado em busca de sua dama, porque ainda está aqui?
- Eu tive um assunto a resolver - respondi.
- Qual assunto?
- Te contarei no devido momento.
- Uhhh, mistério... - Fábio balançou a cabeça por alguns segundos em sinal negativo.
- Vamos.

Girei nos calcanhares e segui em uma direção aleatória com passos firmes - sempre funcionava.
- Sabe pra onde estamos indo? - Fábio perguntou.
- Claro.
- Você não sabe.
Me virei para Fábio, andando de costas e disse:
- E você acabou de acordar, então eu tenho mais noção pra onde ir... - Quando notei que havia um tijolo faltando logo atrás dos meus passos era tarde para mim. Mas Fábio, notando o buraco, segurou minha mão bem a tempo e puxou com toda força, me atirando para trás dele.
- Mais alguma coisa pra falar? - Fábio disse.
- Vamos ser mais cautelosos.

Continuamos andando pelo castelo, talvez por mais meio dia, o tempo lá dentro não era o mesmo com o que estávamos acostumados. Talvez nem sequer existia tempo lá. Existem lugares que até mesmo o tempo teme entrar.

Estávamos em um corredor mais estreito que todas as salas pelas quais passamos. O teto era a única parte sem uma profundidade definida. Quanto mais andávamos pelo corredor, parecia que menor era a temperatura. A respiração ficava cada vez mais gelada, o pulmão mal podia suportar aquele ar totalmente frio circulando pelas nossas vias respiratórias. Sentia também o enfraquecimento da Hiperbórea, e Fábio também sentia.
- Quer ficar mais perto pra aquecer? - Fábio perguntou.
- Não, obrigado...
- O frio é mortal, não se leva vergonha depois da morte.
Me aproximei dele o bastante para dissipar o denso frio ao redor. E então ouvimos um grito feminino.

Era claramente o grito de Cristiane. O medo de perdê-la me cegou, e a raiva vulcânica que havia reunido até ali fluiu pelo metal frio de Hiperbórea, aquecendo a sala toda ao meu redor. Os tijolos brancos tiveram seus brilhos aumentados, provando que eles se acendiam e apagavam utilizando-se de um pouco da essência de quem estava ali. Consequentemente, com o brilho dos tijolos aumentados, o fim do corredor ficou visível, onde um arco abria a passagem aparentemente para um cômodo muito maior.

- Se fosse só sentir raiva pra acender a luz, deveriam ter me avisado antes - Olhei para trás e Fábio fechou os olhos por alguns instantes. Quando ele abriu, em seus olhos habitavam o vermelho puro e sanguinário, sobre o branco límpido. Todos os tijolos ao redor triplicaram seu brilho, e alguns se desintegraram pelo tamanho na energia absorvida.

Era possível sentir a energia que emanava da Hiperbórea de Fábio. Era uma energia quente, sem variações, firme e direta. Uma arma objetiva e destrutiva.

Virei-me novamente ao final do corredor, e comecei a andar, correr até adentrar o cômodo. Fábio veio logo atrás e parou ao meu lado quando observamos toda a gigantesca arquitetura que compunha aquela sala.

Primordialmente, a sala parecia muito com um templo. Não por causa do altar de pedra cuidadosamente trabalhado no fundo da sala, ou da grande estátua de uma mulher envolvida por panos e aparentemente virgem, e nem por causa dos bancos de pedra direcionados para frente. A aparência de templo era com toda certeza por causa das janelas. Os vitrais das janelas que contavam a história de milhões de povos e milhões de culturas. Fora isso, o templo era extremamente gigantesco. Os pilares eram escuros como o céu, e se misturavam ao negror do teto, que resplandecia em pequenos pontos azuis-escuros que pareciam muito com um céu durante a noite. O chão era branco, como o branco em que havíamos pisado até ali, a não ser por um clássico tapete puramente vermelho que guiava a entrada até o altar. O altar era a metade da altura de um homem comum, comprido o bastante para caber uma pessoa deitada. Além disso, os detalhes contidos em cada canto da sala contavam algo além, algo inexplicável, algo que apenas estando naquela sala e observando atentamente cada detalhe era possível notar que as dimensões se cruzavam ali. Ou talvez tudo isso seja estúpido.

Olhei para Fábio que estava embasbacado com o templo. Em seguida ele olhou para mim e depois mais à frente de mim. Apontou em uma direção contrário a que eu estava olhando. Olhei na direção aonde ele apontou e notei que havia um corpo esticado com os pés a mostra em um dos bancos do templo. Corremos até lá, o que demorou alguns minutos, pois o espaço era diferente ali. O braço esquerdo pendia inerte e o braço direito estava cruzado com o corpo, e embora o rosto estivesse paralisado numa expressão de terror com alguns hematomas, reconhecemos Ph'arux. Fábio chegou mais perto e retirou o braço direito que estava cruzado com o peito, revelando um enorme buraco no centro do peito. O coração fora arrancado grotescamente, provocando rasgos, cortes e furos aparentemente desesperados... Ou sedentos. O sangue já estava seco e o corpo já estava em estado de putrefação inicial, onde a pele ganha um tom cinza e o cheiro de podridão se espalha pelo ambiente. O corpo ainda estava com a armadura branca, que aparentemente não fora o bastante para conter o ataque.

- Olá - Uma voz fria entrecortou o ambiente.

Virei-me na direção da voz e Fábio avançou até ficar do meu lado. Então vimos Sólon parado na parte da frente do templo. Olhando para nós.

- Meninos vocês são dois idiotas - Sólon estava envolto em uma armadura dourada, feita de um material completamente diferente de tudo o que já havia visto.
- Você está morto - Eu disse.
Sólon me olhou, e riu tão fortemente que o castelo inteiro se mexeu, as peças do chão se moveram, alguns bancos foram quebrados e o ambiente que parecia vazio, agora estava dominado por lagartos. Milhares deles, milhões. Muitos andavam pelas paredes do templo, desciam pelas colunas, alguns já estavam ali, mas de alguma forma se disfarçaram no ambiente. Olhei para Fábio que já havia desembainhado a espada. No lugar de Sólon não estava mais o mesmo rosto, agora jazia naquele corpo com a armadura dourada outros rostos, rostos conhecidos de milhares de amigos perdidos na vila. Reconheci a mulher de Fábio e as suas filhas naqueles rostos. Reconheci alguém que não achei que veria ali. Alguém que eu sempre amei. E que estava ali, me olhando com aqueles mesmos olhos castanhos...

Cristiane.

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