Ah meu bem, não diga isso em voz alta

by segunda-feira, novembro 18, 2013 0 comentário(s)

Já perdeu tempo pensando nas possibilidades do que poderia ter sido? Ah, eu perco meu tempo pensando nessas possibilidades todo o tempo. Às vezes, se você considera um caminho durante um instante, ele parece tão diferente de tudo, tão distante de todos, mas na verdade, é tão próximo quanto todos os outros, é tão igual quão todos os outros. É tolice dizer que a vida muda. A vida nunca muda, nós mudamos. Os caminhos se dividem à minha frente, a existência se torna mera expectadora, como mais uma vez, ele sempre foi e sempre será. É terrível deixar a razão tomar controle, terrível deixar a razão manipular as escolhas. Mais terrível deixar as emoções tomarem controle, mas isso é um absurdo para outro post. Esse é um post sobre possibilidades e "e se"s.

Quem já não brincou com a possibilidade de existir um outro caminho? Uma garçonete que sonha em ser atriz, uma atriz pornô que sonha em cursar Direito, um mecânico que queria ser o Homem de Ferro, quantas possibilidades podem ser consideradas nesse ponto. Mas o ponto seguinte é mais interessante. Algumas pessoas nunca dizem isso em voz alta. É possível que durante uma vida toda, um ser humano tenha existido sem nunca ter dito a ninguém sobre seus próprios sonhos. Que loucura cara. Uma vida inteira sem falar sobre os próprios sonhos, os próprios desejos. Vivemos em uma era de palavras. Palavras faladas, palavras escritas, onde estão seus atos meu caro? Uma vida inteira sem falar sobre seus próprios sonhos, e nunca, sequer uma vez, um passo em direção à eles. É mais engraçado ainda ao pensar que a palavra "sonho" tenha sido usada mais nos últimos anos do que qualquer era da humanidade.

Vivemos uma era em que as palavras valem mais do que um coração puro, que a menção da confiança vale mais do que a própria confiança em si. Na verdade, um mundo inteiro nunca se acabava antes. Sabe, as palavras foram a maldição do século. Imagine só, alguém lembrar depois de 80 anos, de uma menina com quem uma vez conversou quando tinha 13, ou 12 e mesmo assim, a conversa foi pra perguntar se a mãe da menina estava em casa. Imagine só, um texto que usa palavras para falar mal das palavras que usa, enquanto as próprias palavras são mal usadas ou se mal usa as palavras certas. Imagine o quanto foi perdido da vida e da verdade, enquanto as tentativas de eternizar coisas com palavras foi feita sucessivamente. Até mesmo a tentativa de imortalizar o que é impossível. Não é possível afirmar que algo seja possível ou impossível, não importa quantas palavras se use. Não é possível tornar uma parte da vida fixa, e todas as outras girarem ao redor dela. Não é possível fazer tais afirmações sem antes implicar que as afirmações estavam erradas antes mesmo de serem feitas.

Já perdeu tempo pensando nas possibilidades do que poderia ter sido? Não perca.
Já perdeu tempo pensando nas possibilidades das palavras terem ou não terem sido ditas? Não perca.
É inútil. Até essas mesmas considerações são inúteis. É melhor ter demonstrado quem você é, do que demonstrar alguém que você nunca foi. A maioria das vezes, ninguém vai ligar pro que você pensa. Até mesmo seu psicólogo está te atendendo porque você está pagando ele pra te atender e ser legal com você.

Sabe, o oriente vive em constante pobreza. Mas nunca amargura. A felicidade nunca foi tão simples. Pois é tudo o que ela é.

Simples.

E quando for falar em uma possibilidade. Diga em voz alta.
Talvez alguém a escolha, se você não puder escolher.

Quem é você que me olha com esses olhos vermelhos e cansados? Você que me espia seco em carne, magro e decrépito em vida, como se o seu mundo tivesse acabado? Quem é você que pensa que a felicidade é distante e a vida nunca foi tão solitária? QUEM É VOCÊ, EU ESTOU FAZENDO UMA PERGUNTA. NÃO ME IMITE. QUEM É VOCÊ, VOCÊ QUE EU VEJO NO ESPELHO?

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