Esses olhos castanhos, Essa tempestade lá fora

by terça-feira, novembro 19, 2013 0 comentário(s)

Emoções incontroláveis dominam aqueles que acreditam que as emoções são incontroláveis. No que você espera acreditar? Nos filmes? Sabe, como muitas vezes é facilmente visto, é fácil dizer. É fácil pronunciar as palavras. Ao contrário de viver. Não é fácil viver. Não se esperam tantos contrastes, não se esperam tantas vidas se confrontando infinitamente, em tantos choques eternos. Sabe, hoje, enquanto andava de metrô, me lembrei de um rosto. Um rosto familiar, na verdade, de alguém com quem nunca conversei. Mas sem dúvida, já a vi milhares de vezes, com a camisa do CEFET-MG. Às vezes pedindo carona na Avenida Amazonas, às vezes dentro de ônibus que iam para o centro da cidade, ou voltavam de lá. Já a vi chorando um dia, dentro do metrô, com os olhos vermelhos, talvez por um coração partido ou uma memória lembrada de alguém que já se foi. Engraçado eu lembrar de um rosto que nunca conheci.

As vidas que se chocam em cada instante são vidas que nunca mais serão e nem foram as mesmas. Pense nisso profundamente. Existem pessoas que passaram pela Terra, pessoa que ainda passarão. De alguma forma, nós tentamos comparar os diferentes alcances, tentando medir quem é o mais inteligente, quem é a mais bonita, qual o homem que resistiu por mais tempo dentro de um lago no ártico, qual mulher fez mais cirurgias plásticas ou tem os maiores implantes de silicone. Quem é o mais, numa sociedade de comparações? É impossível decidir. Apenas talvez, saber quem é o mais tolo.

O mais suscetível de tudo isso é que exista um fim rápido. É difícil viver sob as impressões alheias, é difícil viver sob milhares de estigmas. Imagine uma vida condenada a ser o melhor pianista de sua própria época. Se quiser ser um pintor, será considerado um pintor mediano. Se quiser ser um engenheiro, não serão concedidos tantos créditos ao ser. "Engenheiro? Ha ha ha Acho melhor continuar com a sua música". Trabalhamos em especializações. Especializações, tarefas únicas. Como seres infinitos podem ser condicionados à tarefas únicas? Robóticas?

O automático condena a humanidade. Não, não se desespere ainda. Há salvação. Sabe, aqueles poucos segundos em que você olha pra si mesmo. Contempla seus braços, suas mãos, seus pés e pernas. Vê que você é um corpo de carbono, regido por pensamentos e sentimentos completamente sujeitos à sua própria vontade. Olha o horizonte e percebe que ele é dobrável aos seus olhos. É como se você pudesse enxergar até exatamente onde você quer ver. Observa uma pessoa que nunca conheceu em um metrô, junta possibilidades e verdades, une lágrimas e memórias, rostos e sinceridade e coloca tudo em um olhar. Um único olhar. Olha pra ela, que ainda não está olhando pra você, então ela ergue a cabeça, meio constrangida por sentir que alguém está olhando pra ela, mas olha na direção dos olhos que a observam. Ela sorri. Ela entende o olhar, e o agradece.

Às vezes só um olhar pode ser o suficiente pra conhecer alguém. Não é necessário 1kg de sal, segundo o meu avô, para se conhecer. Infelizmente não há confiança, amor, nem respeito construídos, mas ainda sim, um olhar é o bastante. Apenas o bastante. O silêncio é o bastante.

Ei, você aí. Isso mesmo, você aí, lendo esse texto. Obrigado por lê-lo. Esses pensamentos aqui são um ótimo modo de anotações pra mim, principalmente de instantes que apenas acontecem uma vez, principalmente pra lembrar de conversas que nunca acontecerão. Esse blog é um amigo de 5 anos meu, um bom amigo, esse é o post número 576, rumo à 600. Olha, é o seguinte: Minha vida e a sua podem ter se tocado apenas nesse instante, podemos nunca nos conhecer, nem nunca mais nos ver novamente.

Mas obrigado pelo seu olhar.

0 comentário(s):

Postar um comentário