tudo que tenho - pt1

by quarta-feira, setembro 03, 2014 0 comentário(s)

Escrever. Escrever é tudo o que tenho agora.

Meu último lugar, o único lugar onde ainda existe ar.
Nessas semanas, comecei a me envenenar de café, fast-food e ausência de água. Tudo pela faculdade. Porque?
A Universidade não era primeiramente pra nos tornar melhores?
Não era pra formar seres humanos e não homens-e-mulheres-robôs.

Debate simplório esse. O que eu estou tentando dizer é aquilo que ninguém nunca fala.
O que eu estive tentando escrever é aquilo que ninguém nunca escreve.
É buscar dentro do peito um lugar na janela tampada que não entra luz.
"Quero luz" foi o que alguém riscou numa janela coberta com um forro de proteção contra o sol, libertando a luz.

Arranhar as paredes do banheiro sujo, cheio de letras e palavras e versos e poesias que me completam,
Que me tornam inteiro por apenas um passar de olhos.
"E se o amanhã que você esperava fosse hoje?".

"Sejamos realistas, exijamos o impossível".

É tudo tão simples, não é? E porque não se enuncia sobre isso? Porque se chama tais coisas de tétricas e as considera pormenores da existência? São coisas tão grandes, imensas, mal cabem em um peito que alguém teve de escrevê-la na parede. As horas passam até minha próxima prova, ainda há coisas para estudar, ainda há decisões para tomar. Nada disso faz o menor dos sentidos.

"Porque eu continuo aqui?". "Assim como é aqui dentro, é lá fora". "Sonho constante, realidade delirante". "É justo rebelar-se".

E essas frases soltas que me preenchem tanto por todos esses muros e paredes que passo? Porque todos que escrevem isso não estão lá, esperando alguém, que sente isso também, passe e diga um "olá, tudo bem, também me sinto assim". Tanto faz.

Chegou o ponto de mergulhar.

Gravarei aqui minhas memórias antes de submergir pra talvez nunca mais me levantar.

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            º o º º
       º o 0 º º
     º º
[:-O]


Amei. Amei todas elas, cada uma delas. Amei cada instante, e ainda amo, porque relembro-os a todo momento. Nunca me esqueço de nada, apesar de fingir que esqueci. Nunca deixo nada para ser notado depois, pois aos meus olhos algumas coisas são tão claras como esses dias de céu azul sobre azul. Meu corpo parece ser um organismo diferente de mim, eu penso que o comando, mas muitas vezes, relembro ações que cometi, cuja autoria parece não ser minha. Penso que talvez seja assim que deva ser, deixar o corpo tomar as rédeas e deixar o tempo passar. Talvez o tempo passe demais, mas não me importa agora.

Odiei. Odiei cada momento. Tive raivas infinitas de pessoas que nunca realmente conheci, por pura e simples ignorância. Por achar que sabia demais, quando nem sequer sabia saber. Ainda não sei. Aprendi apenas uma parte do que é aprender. A raiva em meu peito ainda cresce como pragas de trigo, destruindo plantações e campos que nunca antes haviam sido tocados. Portas foram abertas, escancaradas. Sorrisos foram dados, aos montes, aos milhares, falsos, verdadeiros, não importa.

Queima. Ainda sim, agora, o peito queima. A destruição de todas as coisas me rodeia. É como se a todo momento, prédios caíssem, pessoas perdessem suas vidas, aviões caem do céu e pessoas maravilhosas se tornam enfadonhas. É como um filtro para olhar a vida. Deixa ver apenas onde tudo está ruim. Não vê aquela pequena nuvem solitária, lutando para sobreviver. Vê o céu azul que queima os braços, a pele e deixa o ar insuportável de ser respirado.

Sonho. Acordo hoje com os dentes cerrados em uma careta de dor, minha boca sempre aberta e seca com maxilar flexionado, sugando ar, desesperadamente sugando ar. Nos primeiros minutos, enquanto estou saindo do sono, ainda lembro da imagem, mas ela queima como uma foto colocada por cima de um isqueiro. Ainda lembro de uma frase, porém logo ela se apaga e é substituída por outra que tenta resumir o que ela quis dizer, mas, ao mesmo tempo, não é a mesma frase e a essência se perdeu. Lembro dos olhos ao redor me observando, como se estivesse apresentando uma peça no teatro, uma peça de muito mal humor, pois ninguém ri. Algumas pessoas tem olhos de escárnio. Bebo água, mas ela desce morna pelo peito e começa a me fazer mal. Mas é tudo o que tem ali. Vinho não ajuda ninguém logo cedo. Vou tomar banho, sento no chão do chuveiro e não sei quantos minutos se passam enquanto a água quente cai, mas sempre quando saio, se passaram 17 minutos exatos. Visto minha roupa, secando até o último lugar molhado. O vento frio da janela (aberta durante a noite) insiste em denunciar cada um deles. Todos os dias as mesmas coisas, todos os dias quando acordo... Todos os dias com o mesmo tempo, ou nenhum. Todos os dias diferentes?

Existe esperança, sim. 

Deve existir em algum lugar...

Comment ça va? 
Très bien, et toi? 
Bien... Alors... Parce qu'est-ce je vois est mort à vous yeux?


Croatt

Conceito

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