A Pressa Não Permite Escolha

by quinta-feira, julho 23, 2015 0 comentário(s)
Deixe-me colocar pra fora enquanto meu peito não explode. Só há uma única maneira de resolver isso: com bastante sinceridade. Meu caro e belo leitor. A sinceridade tem que partir de algum lugar, então partirei do único lugar que eu acredito em que ela existe, aqui de dentro, de mim para comigo mesmo. Bom, tudo começou quando eu estava em Viçosa, era apenas mais um dia, ou melhor, mais uma noite sozinho. Na verdade, era a noite onde tudo começou, a noite em que todos os pesadelos começariam. A luz já hava sido apagada há muito tempo, e só sobravam os momentos mais frios do dia para me acolher. Não havia ninguém em casa, os moradores estavam ausentes, e eu, novo morador, sozinho. Senti-me bem triste naquela noite. Tão triste que resolvi fazer uma ligação pra alguém, que eu achei que ligando, eu não me sentiria tão sozinho. Ela. Sim, a menina, a advogada de quem tanto falo, de quem tanto tenho sonhos e tenho pesadelos. Ah, que grande droga foi. Foi bom ligar pra ela, mas ao mesmo tempo, destrutivo. Daquela noite em diante, e em várias outras ligações, eu só me destruí, de pouco em pouco.. de ligação em ligação.

Na verdade, eu não vim dizer nessa noite aqui sobre exatamente isso. Eu vim dizer sobre todo esse orgulho que me permeia, que permeia minhas ações, meus sorrisos e minha pele. Eu vim retirá-lo. Se quiser, pode observar enquanto eu o faço.

De nada adianta o orgulho. De nada, nenhum pouco. Ele nos faz parecer fortes quando somos nada mais do que simplesmente frágeis marionetes. Ele nos faz achar que seremos para sempre, eternos, que nossas ações continuarão para todo o sempre. Ele mente nas nossas mentes, sussurrando doces em nosso ouvidos e delicadamente despejando areia em nossos olhos. De nada serve o orgulho e a ambição. São sentimentos ocos, inúteis, sem verdadeiras raízes que possam se fixar. Retiro agora essas peles tosca pra nunca mais colocá-las.

Algo que parece proteger, apenas cria camadas que afastam todos ao nosso redor.

Largue-os, deixe-os. Somos tão frágeis quanto vela que derretem ao calor da chama. Tão frágeis quanto fios de cabelo que perdem a cor com o tempo tornando-se branco pela eternidade.

Em toda essa fragilidade é que reside a força real. Esta que mantém a verdade viva. A Verdade Final e Real. Aquela que buscamos incessantemente.

Talvez o Universo não a tenha, mas talvez a tenha. Não há como escolher qual resposta está mais correta ou qual está incorreta. Há apenas a escolha de pular ou não.

Se algum dia, você estivesse na beira de um precipício e te falassem: para voar, você precisa pular. Você acreditaria?

Bom, nós não temos essa opção agora.

A Pressa não permite escolha.

"Que engraçado, logo você, que não tem fé".

Pule.


0 comentário(s):

Postar um comentário