Lanterna dos Afogados

by quinta-feira, julho 23, 2015 0 comentário(s)
Em um fluxo de pensamentos rápidos tudo o que você conseguiria pensar seria em milhares de bobagens que vem à sua mente todas em apenas um momento. Sabe, quando a noite está escura, você consegue ouvir os seus dedos batendo nas teclas do seu computador, lá fora, não existe mais nada, apenas o barulho de fantasmas escoando pela sala seus meros inéditos e desbravados hálitos ignorantes. Não, meu doce violino, você não deveria estar aqui. Eu realmente, nunca mereci você, já era hora de você partir. Estranho é como todas essas pessoas conseguem viver sem mesmo olhar para o lado e ver que através dos olhos de um igual há também um mundo interior partido em pequenos pedaços. Eu entendo que você não queira me ver, talvez realmente você nunca mais tenha voltado no restaurante, talvez nunca mais tenha tido uma oportunidade como aquela. Ou talvez, simplesmente, tenha feito de tudo para evitar aquele encontro fatídico. Seria então uma hora em que o Destino disse: "Nessa vida, já chega, eles não vão mais se encontrar". Bom, seria interessante se ele tivesse dito isso e eu saísse todos os dias de metrô até a porta da sua casa apenas para lá passar. Ah, eu nunca faria isso, aquele lugar vai me assombrar para sempre. O meu tio mora na rua de trás e eu nunca consegui visitá-lo depois de tudo aquilo. 

Eu tinha um grande coração, em algum lugar por aqui. Acho que o perdi, acho que o entreguei, olhando agora pro meu porão, não sei como tantas coisas lá apareceram e quantas coisas de lá sumiram para sempre. Se você interrompe o fluxo de pensamento contínuo tudo que você pode fazer é ir dormir depois dessa longa noite de verdades pelas metade e palavras que não quiseram sair do peito totalmente. Seria um problema meu? Há tanto tempo sem escrever, as palavras ficam realmente zangadas e decidem nunca mais sair. Elas se juntam na boca, nos olhos, no centro do peito. Fogem das pontas dos dedos, fogem da língua e decidem: "Vamos matá-lo por dentro, fiquem aqui, uma hora ele se sufoca". Não seria justo, eu diria, mas quem eu estou enganando? Não existe justiça em um mundo em que homens estão no comando. Não há mais nada que eu possa dizer. Tudo que eu queria, está aqui dentro guardado. Escrevo dois textos nessa noite e nenhum deles mal consegue expressar metade do que eu estou sentindo. Onde está você? Porque tanto mistério? Por favor me salve. Por favor. Me Salve. Eu tô na lanterna dos afogados... e a lanterna, há muito, deixou de me iluminar.

Tudo o que resta é o vazio do mar profundo.

Até o momento de me afogar.

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