Erik, the Red 2 - #2

by quinta-feira, novembro 26, 2015 0 comentário(s)


"Então essas são suas asas. Triste serem tatuadas e presas. Asas de verdade, são feitas pra voar."

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Conta-se certa vez que um humano se apaixonou pela Lua. Em uma noite qualquer, a lua deitou-se em sua cama. 

A lua o observava há muito tempo. Ela o cobria quando tinha pesadelos, o amava enquanto sonhava e dava um beijo no queixo quando fazia frio durante a noite, até o dia em que tentou aquecê-lo. Porém ela era fria. Estava distante em seu leito lunar.

Em uma noite, ela se ergueu de seu véu estrelado e atravessou as escadas das dimensões em direção ao plano humano, para conhecer aquele que a tanto perturbava. Mal sabia, mas Destino o fez acordar. Talvez insônia, talvez só precisava de ver sua musa mais uma vez no céu. Quando abriu seus olhos, admirou-se ao vê-la ao seu lado. Era sincera. Profundamente sincera. Seus olhos eram puros, tão intocáveis quanto sua pele. Curvas suavemente parabólicas, quase... não, definitivamente eram perfeitas. Os lábios eram frios, ele soube quando eles tocaram os seus. O toque dos dedos das mãos dela produziam uma onda de frio pelo corpo, arrepios eram gerados, o suor frio escorria, suor de puro prazer.

A lua aproximava sua boca da boca do rapaz, mas sem as tocar, apenas os olhos abertos, emitindo um brilho nu e carnal enquanto o encarava. Seus corpos se tocavam, as mãos do homem passeavam fixas e rijas pelas costas dela. Uma mão a prendia pelos cabelos brancos, enquanto a outra apertava sua cintura contra a sua em um movimento ritmado. Só havia um coração batendo, mas o som dos gemidos da lua eram deliciosamente provocantes. Pediam que o homem a tocasse, a beijasse por todo o corpo, passeasse seus lábios pelas lisas pernas, subindo até sua cintura, beijando onde deveria ter um umbigo, e descendo, enchendo-a de prazer, de gritos noturnos, apenas audíveis ao homem. Ele se ergueu diante dela, a segurou pelas pernas e uniu-se a ela, indo cada vez mais fundo e voltando, cada vez mais profundo enquanto o suor escorria do corpo dele, e ela, com suas feições provocantes, se deliciando com o olhar apaixonado dele. Ela o virou com força, ele ainda surpreso foi tomado de prazer quando ela subiu em cima dele e passeou pelo seu corpo com a boca fria, as mãos tocando cada parte de seu ser, penetrando em sua existência.

A mão dele tocou os seios da lua. Eram seios firmes com a sensação de uma superfície gélida. Os bicos ficaram duros, a tensão do prazer era sentida no ar. Ele beijou sua boca com voracidade. 

- Lua! - Ele clamava entre um beijo e outro - Seja minha, Lua!

Ela sorriu. Aquele mesmo sorriso que ele via no céu.

Então, o amanhecer chegou. E ela desapareceu.

Conta-se também, em outras versões dessa história, que a lua e ele tiveram um filho. Um filho com o coração gelado, mas que um dia amou uma donzela. A donzela, apaixonada por um limpador de chiqueiros, casou-se com ele e teve três belos filhos.

Dizem que o filho da lua então se isolou no Norte, onde os ventos se encontravam e tornou o mundo inteiro, um constante inverno. Quando ele sentia a solidão apertar no peito, criava invernos rigorosos que duravam séculos. Em um deles, a donzela e seu amado limpador de chiqueiros morreram no frio com seus filhos.

Eventualmente, grandes exploradores voltavam do Norte e diziam ter avistado no topo de uma montanha distante, que quase tocava a Lua, a luz de uma cabana. Tudo era apenas lenda até então.

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Acordei com frio na caverna, pensando no sonho. A fogueira já havia se extinguido há muito tempo pelo que parecia e lá fora algo fazia um barulho leve, quase imperceptível enquanto tocava o chão. Tirei o manto de peles da bolsa e o vesti enquanto ia até a entrada da caverna. 

Cada passo mais próximo da entrada, mais frio estava.

Quando saí. Olhei ao meu redor. 

O mundo estava branco.

Havia neve por todos os lados. 

E o mar... Grande Odin! O mar estava congelado.

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