História Experimental: amamos bem demais - #5/5 - 1min de leitura

by sábado, dezembro 31, 2016 0 comentário(s)



"sejamos perenes
efêmeros, com o sabor de hoje
entre os lábios carnudos
sob lençóis voluptuosos

sejamos insensatos
pegos no ato
de amar demais
sem pleonasmos

sejamos reais
mesmo em meios virtuais
se reconhecendo diferentes
mas capazes de amar
nossos iguais"

Poesia sempre me tocava mais do que os beijos, às vezes mais do que nossos corpos entrelaçados. Talvez fosse sua voz leve, com leves toques de embriaguez, talvez fossem tantos talvezes... Poderíamos ter a eternidade para nós naquela praia.

Faltava tão pouco tempo pro ano novo. O vento soprava forte próximo ao mar, as pessoas se preparavam para pular as primeiras ondas de 2017 nos segundos corretos. Me preparava pra olhar nos seus olhos mais uma vez. 

Meus amigos sempre serão tão mais legais que os teus, a mim me parece que eles são mais autênticos, conseguem falar o que lhes vêem à mente. Os teus se escondem por trás de gracejos e significados superficiais, mas ainda sim os achei interessantes. Mentiria na verdade, se dissesse que pensei mais neles do que nos lábios teus. Nos teus olhos castanhos, me olhando sob a linha do horizonte do mar.

Do que vale fingir felicidade meu bem? Talvez por isso você se afaste, em mim há tristeza clara, nua. Tão crua que te afasta. Poderíamos dois namorarmos apenas o tempo desse texto. Sim! Poderíamos viver apenas durante o tempo necessário pra nos amarmos bem demais.

A cada ponto, não se saberia se é ou não o final.
A cada ponto, poderíamos nos inflamar mais, querendo nossos corpos juntos.
A cada ponto, ergueria você acima do meu corpo como se você fosse uma deusa que minha alma idolatra.
A cada ponto, nosso coração bateria mais forte, clamando que fôssemos um.

E quando o ponto final chegasse, meu bem. Ah, então não haveria mais nada.
Teríamos deitado cansados na areia, olhando as estrelas que senti tanta falta no céu da cidade grande.
Poderíamos dizer que existe amor em SP, mas não na cidade.

Em realidade, somos dois deitados agora na areia, sob esse infinito céu azul.

E porque pontos? Se a passagem do ano é nada mais do que nada?

E se todos nossos dias,
Como hoje,
Quando fecho os olhos,
Sinto seu corpo sobre o meu e a areia entre os dedos dos meus pés,

Esse instante terminasse apenas com uma vírgula,

Croatt

Conceito

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