Um estudo sobre o amor : Ojos Color Sol

by domingo, abril 01, 2018 1 comentário(s)


Quem seríamos nós sem um pouco de caos, um pouco de projeções e terrores.
Hoje me sinto seguro pra contar uma história.

Conheci ela no ensino médio, em um simples "coup de foudre" sabia que meu mundo mudara. Talvez o que mais atraísse nela fossem os olhos perdidos, o rosto com um sorriso escondido, os olhos cheios de sonhos... Na verdade, acho que eu amava tudo nela. Era um misto de quem ela era, com o que ela me provocava lá dentro. Eu sei bem quando eu a vi pela primeira vez, o instante me provocou tamanho impacto que comecei a ter sentimentos que não entendia.

Eu queria tudo aquilo pra mim. Eu era mais jovem que hoje. Minha mente era outra. Na minha mente, as pessoas pertenciam umas às outras, como colecionáveis.

Veja bem, pra mim, a vida social nunca foi natural. Nunca entendi como as outras crianças se reuniam no recreio, brincavam com seus jogos, iam na casa uma das outras ou ligavam umas pras outras. Nunca foi natural pra mim. Cada ação, cada sorriso e pequeno gesto eram conscientes. Os gestos copiei de vários amigos ao longo do tempo, as palavras, sorrisos, copiei de quem gostava do sorriso. É como se eu precisasse estudar muito sobre a humanidade para entender o que é ser humano. Sempre me vi como um outsider e talvez por isso estivesse sempre sozinho. Mudei todos esses anos diversas vezes, cortei o cabelo de várias formas de diferentes, fiz e deixei a barba, o que fosse mais confortável aos meus interlocutores.

Mas aquela menina, aquele instante, quem era ela? Que provocava algo tão intenso dentro de mim ? Talvez tenha sido a primeira vez que eu soube o que fazer, a primeira vez que eu era igual a todo mundo, era humano. Era natural. Éramos novos e a família dela era bem restrita, mas conseguimos conversar e conversamos durante tanto tempo pelo MSN. A conversa fluía. Era a primeira vez que a conversa fluía com quem quer que seja. Acho que nos falamos por quase 2 anos direto, depois da escola até de noite. Depois nos afastamos porque ela se mudou de escola.

Era 2008, eu ainda escrevia textos em um diário. Mas me lembro que o texto "Amor" foi uma parte sobre o que comecei a sentir naqueles anos.

Os anos passaram, e ela ia fazer 18 anos. Era meio que uma idade importante, porque o pai dela só deixaria ela namorar com essa idade. Só que realmente, o tempo passou. E nesses anos, mudei muito. Acreditei que talvez déssemos certos. Na época, infelizmente, eu estava com outra pessoa. E então Menti. Criei machucados, pela primeira vez, criei Dor.

Queria aquela relação de volta, queria viver aquele sentimento. Então corri atrás, busquei todas as chances, mesmo que estivesse Sem Segundas Chances. E nos curamos, através de um mar de Cicatrizes. E ah! O amor! Como é bom sentí-lo e vivê-lo.

E meus segredos me massacraram. Nunca menti tanto ou escondi quem era. Foram 1 ano e meio de Anoitecer da minha alma. E então, chegamos à história da libertação e destruição de tudo: Erik, the Red. Ao final dela, terminaríamos. Era o único jeito que eu poderia sobreviver. Eu passei por todos os sentimentos, Arrependimento, Monstros, Dor e Boa noite.

Eu cheguei ao Fim. Apaguei as luzes, fechei os olhos e tudo que eu via eram seus olhos e tudo que eu ouvia era a tempestade rugindo lá fora.

Perdão pela expressão, mas puta que pariu, como doeu. Desde 2013, Doeu em 2014, Doeu em 2015 e só em 2016 que comecei a ver alguma luz. Foi profundo, dolorido e tortuoso.

Nossa.

Quando eu olho aqui pra dentro do peito e lembro de como era antes.

Conheci muitas pessoas entre lá e cá. Vi outros planetas, outras estrelas. Faz já um tempo que estou assim, mas hoje consigo ver uma foto sua e não tremo, não fico profundamente triste. Ainda penso, vez ou outra, em tudo que aconteceu. Em como essa experiência afetou profundamente quem sou e quem quero ser. E em como consegui sair desse estado profundo até aqui, em todos que me ajudaram pelo caminho, até completos desconhecidos.

Não sei.

Acho que não há o que saber também. É natural. Pela primeira vez, talvez, depois de todos esses anos. Eu percebo que sou parte da humanidade afinal. Nessas milhares de coisas que não notamos, que agimos sem pensar.

Por mim, acredito que o amor é natural. Não é toda essa idealização, nem tudo que sonhamos. Sinto que amei de verdade, depois de todo esse tempo, porque sei que se em algum dia encontrasse sem querer com a Cristiane, perguntaria como ela estava com um carinho imenso. Gostaria de ir até um café, falar sobre o que vivemos depois de tudo que aconteceu, mas principalmente sobre o futuro. Sobre onde queremos chegar.

Foi imenso. Foi incrível.

Obrigado .

Um comentário:

  1. Já que ainda amava Cristiane pq namorou outra pessoa?

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